
A China, tradicionalmente um dos maiores compradores de frango brasileiro, está expandindo sua produção e exportação. Analistas divergem se o país asiático se tornará um rival ou continuará como cliente principal do Brasil, líder mundial no setor.
O Brasil, líder global na exportação de carne de frango, enfrenta um cenário de mudanças com o avanço da produção e das vendas externas da China. O país asiático registrou um crescimento superior a 9% na produção de frango no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, o que pode configurar uma nova dinâmica no mercado internacional da proteína.
Apesar de ampliar suas exportações, a China manteve-se como um destino estratégico para o frango brasileiro. Entre janeiro e setembro de 2026, o país asiático importou aproximadamente 420,4 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 1,15 bilhão. A demanda chinesa por cortes específicos, como pés e asas, difere da preferência brasileira por peito, coxa e sobrecoxa, o que permite a coexistência entre a produção local e a importação.
O aumento da produção chinesa, que superou o consumo interno, tem levado o país a exportar volumes crescentes de carne de frango, incluindo cortes in natura como o peito. Nos primeiros cinco meses de 2026, a China exportou 257,1 mil toneladas de peito de frango, um aumento de 59,6% em relação ao ano anterior, posicionando-se como um jogador cada vez mais relevante no comércio global.
Especialistas indicam que a China pode se tornar uma concorrente significativa para o Brasil, especialmente em mercados na Ásia, África e Oriente Médio. No entanto, outros analistas apontam que o crescimento global do consumo de proteínas, impulsionado pela carne de frango, pode acomodar novos participantes sem prejudicar os exportadores brasileiros já estabelecidos.
Apesar do avanço, a carne de frango chinesa ainda enfrenta barreiras sanitárias em mercados importantes como a União Europeia, Japão e Coreia do Sul. Tais restrições, ligadas a protocolos de importação e casos de gripe aviária, podem limitar o acesso chinês a esses mercados, mantendo o Brasil em posição de destaque.
