Arapaçu é flagrado usando piolho-de-cobra para limpar penas em comportamento incomum

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Uma cena incomum foi registrada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro quando a arquiteta e observadora de aves Renata Franco Neder flagrou um arapaçu-liso (Dendrocincla turdina) utilizando um piolho-de-cobra para esfregar em suas penas. O comportamento, conhecido cientificamente como anting, geralmente envolve o uso de formigas, tornando este registro com um diplópode particularmente notável.

Renata Franco Neder descreveu a experiência como surpreendente, relatando que a ave desceu ao chão, pegou o invertebrado com o bico e, em vez de comê-lo, começou a esfregá-lo vigorosamente contra as penas. A observadora, acostumada a documentar o comportamento de aves, imediatamente percebeu a singularidade do momento.

Diante da novidade, Renata buscou a orientação da bióloga Gabriela Astorga, especialista na espécie e que já havia pesquisado o anting. Astorga confirmou a raridade do ocorrido, explicando que este é apenas o quarto registro conhecido desse tipo de interação entre aves neotropicais, e o segundo envolvendo um arapaçu-liso.

O anting é uma prática na qual aves usam formigas ou outros invertebrados para auxiliar na manutenção de suas plumagens. As teorias científicas sugerem que o comportamento pode ajudar a combater fungos, parasitas ou aliviar irritações na pele, especialmente durante a troca de penas.

No caso específico, o uso do piolho-de-cobra é intrigante, uma vez que esses invertebrados geralmente liberam secreções químicas para se defenderem, tornando-os desagradáveis para predadores. A bióloga Gabriela Astorga pondera que a ave pode estar se beneficiando dessas substâncias defensivas, embora a finalidade exata ainda precise ser estudada.

Ainda que o anting seja documentado em diversas espécies de aves, o emprego de piolhos-de-cobra é bem menos comum. Antes deste flagrante, apenas o arapaçu-vermelho, o arapaçu-de-garganta-branca e o joão-de-barro haviam sido associados a esse comportamento. A liberação do piolho-de-cobra pela ave após o procedimento reforça a hipótese de que o ato não tem fins alimentares.

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