
Uma das maiores araucárias do Brasil, com cerca de 500 anos, tombou em Caçador (SC). Cientistas da Embrapa tentam clonar a árvore para preservar seu material genético e analisar sua história.
Uma araucária com aproximadamente 500 anos e mais de 40 metros de altura, conhecida como Pinheirão, tombou em uma floresta experimental em Caçador, no interior de Santa Catarina. A queda da árvore, que é uma das maiores do país, mobilizou pesquisadores da Embrapa Florestas e da Epagri em uma iniciativa para preservar seu patrimônio genético e obter informações sobre seu longo ciclo de vida. A descoberta da queda ocorreu no final de abril, dois meses após o evento estimado, durante trabalhos de manutenção em uma estrada na propriedade.
A fim de evitar a perda de informações valiosas, equipes científicas iniciaram uma operação de resgate. O engenheiro florestal Ivar Wendling, especialista em clonagem da Embrapa, esteve no local e coletou brotações vivas encontradas nos galhos e no tronco da araucária caída. Surpreendentemente, mesmo quatro meses após a queda, alguns ramos ainda apresentavam sinais de vida, emitindo novos brotos.
O material coletado foi encaminhado para a sede da Embrapa Florestas, na Região Metropolitana de Curitiba, onde os cientistas já conseguiram produzir cerca de 50 clones utilizando a técnica de enxertia. Este método consiste em unir um ramo da araucária centenária a uma muda jovem, visando obter uma cópia idêntica em termos de DNA, caso o enxerto se desenvolva com sucesso nos próximos 100 dias. O principal objetivo é garantir a conservação genética de um exemplar de longevidade e porte excepcionais.
Além da clonagem, um disco de madeira do tronco da árvore foi coletado e enviado a um laboratório no Paraná. Após um processo de secagem controlada e polimento, o disco será submetido à dendrocronologia. Essa análise permitirá determinar a idade exata da araucária e reconstruir o histórico climático da região ao longo de cinco séculos, identificando períodos de chuva e seca através da análise dos anéis de crescimento.
Estudos anteriores em outras araucárias gigantes indicam que o excesso de umidade no solo é um fator prejudicial, enfraquecendo as raízes e tornando a estrutura mais suscetível à queda, especialmente em árvores com madeira central apodrecida. O mapeamento de araucárias gigantes remanescentes no Brasil revela a raridade da espécie, com poucas dezenas de exemplares distribuídos entre Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais.
