
Uma planta nativa, conhecida como limãozinho-bravo (Seguieria americana), tem crescido de forma descontrolada e dificultado a reprodução de aves fragatas (Fregata magnificens) no Arquipélago de Alcatrazes, litoral de São Paulo. A trepadeira, que é nativa do Brasil, tem se espalhado sobre árvores e arbustos, formando um emaranhado que impede as aves de encontrarem locais adequados para construir seus ninhos e se reproduzir.
A expansão intensa da Seguieria americana nas proximidades do ninhal das fragatas é objeto de um estudo conduzido pelo biólogo Gabriel Pavan Sabino, doutorando na Unicamp, com coorientação de Victor de Andrade Kamimura, da Unesp. A pesquisa busca entender as causas da abundância da planta em certas áreas e suas consequências ambientais.
Com ramos compridos e espinhosos, a planta forma uma densa vegetação, tornando o pouso e a construção de ninhos mais desafiadores para as fragatas. O manejo seletivo da planta é apontado como uma possível solução para recuperar áreas de nidificação sem a necessidade de erradicar uma espécie nativa do ecossistema.
A investigação sugere que a disseminação da Seguieria americana está associada a perturbações históricas na ilha, incluindo a instalação de moradias para faroleiros e a abertura de áreas para cultivo de subsistência no início do século XX. Essas atividades alteraram a vegetação original, possivelmente favorecendo o crescimento da trepadeira.
Outro fator considerado é a extração histórica de guano, um fertilizante natural derivado de fezes de aves, que removeu nutrientes do solo insular. Com o fim da exploração, a concentração desses nutrientes voltou a aumentar, podendo ter beneficiado o crescimento da Seguieria americana.
Segundo o pesquisador Gabriel Pavan Sabino, a expansão da planta não pode ser atribuída a um único evento. A pesquisa aponta para uma sequência de alterações ambientais e intervenções humanas como causas para a superdominância da Seguieria americana em determinadas regiões de Alcatrazes.
