Infância em Avaí une cultura indígena, tecnologia e lazer na cidade mais indígena de SP

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A rotina de crianças na Aldeia Kopenoti, localizada na Terra Indígena Araribá, em Avaí (SP), o município mais indígena do estado, combina tradição, convívio comunitário e o uso de tecnologias modernas. Segundo o Censo 2022, Avaí tem 15,1% de sua população composta por indígenas, totalizando 677 pessoas em um universo de 4.483 habitantes. Lívia Vitória Lipu, de 11 anos, exemplifica essa dualidade ao conciliar o aprendizado escolar com atividades de lazer e o uso de dispositivos digitais.

O cotidiano na aldeia permite que as crianças desfrutem da natureza e do contato frequente umas com as outras. Lívia e seus amigos costumam frequentar o rio da região e um museu local, onde exploram a história da comunidade. Esses passeios são combinados por meio de mensagens de celular, evidenciando a integração da tecnologia nas interações sociais.

Além das atividades ao ar livre e do uso da internet para jogos e vídeos, as famílias indígenas de Avaí também promovem passeios a cidades vizinhas como Duartina e Bauru nos fins de semana. Nessas ocasiões, as crianças aproveitam para fazer compras, ir ao shopping e ao cinema, vivenciando experiências urbanas que complementam seu dia a dia na aldeia.

O ambiente escolar na Aldeia Kopenoti é um espaço de aprendizado que mescla o currículo tradicional com o ensino da cultura e dos costumes locais. Disciplinas como Matemática e Língua Portuguesa incorporam elementos da língua Terena, reforçando a identidade cultural dos estudantes. Aulas específicas sobre a língua ancestral são ministradas semanalmente.

As crianças da aldeia participam de atividades que resgatam técnicas tradicionais, como o disparo com zarabatana e a corrida com tronco, jogos que unem o aprendizado histórico à diversão. Lívia explica que uma das brincadeiras favoritas é a da ‘Ema’, que exige silêncio e agilidade, promovendo o convívio e a diversão em grupo.

A preservação da língua Terena é vista como fundamental pelas novas gerações, um elo direto com as raízes familiares e a ancestralidade. Para Lívia, aprender o idioma de sua avó e bisavó é uma forma de manter viva a herança cultural e fortalecer os laços familiares, garantindo a continuidade das tradições indígenas.

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