
Um relato de milagre ocorrido em 1911 com um tropeiro de origem sulista é a base da devoção ao santuário de Nossa Senhora Aparecida do Sul, em Itapetininga. O homem, apelidado de “Lele”, adoeceu durante uma viagem em direção a Sorocaba e foi deixado para trás por seus companheiros, que lhe deixaram uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Com a ajuda de uma mulher negra que o assistiu sem falar, apenas sorrindo e fornecendo remédios, o tropeiro recuperou-se em aproximadamente 20 dias.
Ao se restabelecer, o tropeiro buscou pela misteriosa cuidadora, mas moradores locais não a reconheceram, levando-o a crer que havia sido auxiliado pela própria santa. Ele passou a chamar a imagem deixada de “Nossa Senhora Aparecida do Sul”, em referência à sua origem na região Sul. O aposentado Quirino Pinto Neto, com mais de 40 anos de ligação com a comunidade do santuário, narra que a história é transmitida entre os fiéis e fundamenta o reconhecimento do local como santuário, associando a mulher que o auxiliou à figura de Aparecida.
A devoção à santa, que tem seu dia celebrado em 12 de outubro, ganhou força em Itapetininga a partir deste evento, distinto da tradicional descoberta da imagem original no Rio Paraíba em 1717. A notícia do suposto milagre se espalhou, atraindo vizinhos até a tenda onde a imagem estava para orações.
O fazendeiro José Augusto Campinho, que também relatou ter vivenciado um milagre, cedeu terras em 1913 para a construção de uma pequena capela, impulsionado pelo crescente fervor religioso. A capela original, erguida naquele ano, foi substituída por uma segunda estrutura em 1921, que também foi demolida. Uma nova igreja foi construída no mesmo local e permanece até hoje.
O projeto arquitetônico da atual igreja foi concebido na Holanda em 1938, sob a responsabilidade dos padres Missionários do Sagrado Coração. Embora a devoção à Nossa Senhora Aparecida do Sul tenha mais de um século, a igreja foi oficialmente elevada ao status de santuário apenas em 2006. A história, por vezes desconhecida por alguns, reforça a identidade religiosa da comunidade local.
