Justiça mantém prisão de ex-secretário e marido da prefeita de Bauru em investigação de fraude em licitação

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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de Renato Purini, ex-secretário de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD). A decisão, proferida em plantão judiciário no último sábado (17), ratifica a prisão preventiva do ex-secretário, detido em sua residência na sexta-feira (16).

Purini é investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no âmbito da Operação Cavalo de Troia, que apura suspeitas de fraude em um contrato bilionário para gestão de resíduos sólidos na cidade. A investigação aponta para o envolvimento de Purini em crimes como organização criminosa, corrupção passiva e ativa, falsidade documental e fraude a licitações. Após a prisão, a prefeita Suéllen Rosim exonerou o marido do cargo.

A defesa de Purini argumentou que a prisão preventiva carecia de fundamentação e que medidas cautelares alternativas seriam suficientes. Contudo, o desembargador Luiz Fernando Vaggione indeferiu o pedido liminar, destacando a gravidade dos fatos investigados. Registros telefônicos e mensagens interceptadas com autorização judicial indicam que Purini teria utilizado seu cargo para influenciar licitações, monitorando e coagindo parlamentares para aprovar um projeto que favorecia a empresa Estre Ambiental.

A decisão judicial também aponta indícios de que o ex-secretário teria solicitado e recebido vantagens financeiras indevidas. Segundo o Ministério Público, mensagens interceptadas revelam que Purini teria articulado o recebimento de pagamentos da Estre Ambiental, intermediados por um advogado, para garantir apoio político e influenciar a votação do projeto na Câmara Municipal.

Em uma das conversas obtidas pela investigação, em 2025, Purini teria repassado o contato de seu advogado a Cilene Chabuh Bordezan, então secretária municipal do Meio Ambiente, demonstrando insatisfação com a falta de contato do defensor. A secretária, por sua vez, teria encaminhado a mensagem ao CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, que se apresentou como amigo de Purini e agendou um encontro com o advogado. A Estre Ambiental transferia valores ao advogado Marcos Libanore Caldeira sob a alegação de honorários jurídicos, os quais, segundo a investigação, eram posteriormente repassados a Purini.

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