
Pesquisadores brasileiros e estrangeiros, em um esforço colaborativo, revelaram que o Brasil pode estar a caminho de descrever uma nova espécie de besouro a cada dois dias. O estudo, publicado em setembro de 2024 na revista científica Zoologia, contabilizou 35.699 espécies já registradas no país e analisou dados do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB).
A pesquisa estima que, mantida a tendência de crescimento anual de aproximadamente 144 novas descrições observada nas últimas décadas, esse número possa saltar para cerca de 180 espécies por ano entre 2022 e 2031. Essa projeção significa que a cada 48 horas uma nova espécie de besouro pode ser formalmente reconhecida pela ciência, embora isso não implique em encontros diretos na natureza com a mesma frequência.
Os resultados colocam o Brasil em uma posição de destaque global na diversidade de besouros, abrigando cerca de 9% das espécies conhecidas mundialmente. Os cientistas projetam que essa porcentagem pode atingir 15% quando a fauna ainda não documentada for considerada. O país, com suas 35.699 espécies registradas, possui aproximadamente 40% mais besouros catalogados que toda a América do Norte combinada, confirmando seu status de nação megadiversa.
O conhecimento sobre esses insetos no Brasil tem avançado significativamente. Em comparação com um levantamento de 2000 que registrava 26.755 espécies, o número atual representa um crescimento de cerca de 33%. Essa evolução demonstra o progresso na taxonomia e na coleta de dados, com 4.958 gêneros e 116 famílias de besouros já identificados no território nacional.
Entre as famílias mais ricas em espécies no Brasil, a Chrysomelidae (vaquinhas) lidera com 6.079 registros, seguida pela Curculionidae (besouros-bicudos) com 5.904, e Cerambycidae (serra-paus) com 4.366. Juntas, essas três famílias somam mais de 16 mil espécies catalogadas, evidenciando a concentração de diversidade em determinados grupos de besouros. No entanto, mesmo nesses grupos abundantes, os pesquisadores apontam a necessidade de mais estudos para esclarecer classificações e lacunas existentes.
