Os candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentaram propostas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas durante a campanha de 2026, temas importantes como saúde, educação e crise climática não receberam a devida atenção. Um debate realizado pela TV Globo destacou algumas dessas questões, que foram analisadas por especialistas.
Um dos temas negligenciados é o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), que enfrenta desafios devido ao envelhecimento da população. O professor Rudi Rocha, da FGV, alerta que o aumento da demanda por serviços de saúde exigirá mais recursos e uma melhor coordenação entre os níveis de governo. Em 2026, o governo federal deve investir R$ 254,93 bilhões na saúde, mas a necessidade de revisão da Tabela do SUS se torna cada vez mais urgente, dado o aumento das doenças crônicas.
Outro ponto crítico é o ensino de matemática no Brasil, que tem apresentado resultados alarmantes. Um estudo do Todos pela Educação revelou que, enquanto a alfabetização em língua portuguesa melhorou, a aprendizagem em matemática estagnou, com 58,6% dos alunos do ensino médio apresentando níveis abaixo do básico. A presidente-executiva da organização, Priscila Cruz, enfatiza a importância da formação adequada dos professores e da introdução precoce da matemática no currículo escolar.
A crise climática também foi pouco discutida nas campanhas, apesar dos impactos do fenômeno El Niño, que pode intensificar eventos climáticos extremos no Brasil. Cientistas alertam sobre a vulnerabilidade do país a secas e enchentes, com 75% do território apresentando algum grau de seca. O climatologista Carlos Nobre destaca a necessidade de políticas públicas para proteger a população, especialmente os grupos mais vulneráveis, que enfrentam riscos crescentes devido às mudanças climáticas.
Por fim, a população em situação de rua, que já ultrapassa 390 mil pessoas no Brasil, não teve suas necessidades abordadas nas propostas dos candidatos. O Ipea aponta a complexidade desse fenômeno e a falta de dados confiáveis para a formulação de políticas públicas. Enquanto o programa de Lula menciona apoio a populações vulneráveis, a ausência de iniciativas específicas por parte de Bolsonaro levanta preocupações sobre a falta de atenção a esse grupo durante a campanha.
Com informações do G1.
