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Em manifesto conjunto, veículos de comunicação alertam para ameaças à democracia brasileira e à liberdade de imprensa, citando ataques e ações do bolsonarismo.
Cinquenta e cinco veículos de jornalismo independente divulgaram nesta quarta-feira (14) um editorial contundente em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e contra o autoritarismo. O documento aborda críticas a ataques direcionados à imprensa e ressalta a importância do acesso da população a informações de qualidade, alertando para os riscos que pairam sobre o regime democrático no Brasil.
O manifesto destaca o papel essencial do jornalismo na construção de um ambiente informacional íntegro, onde informações confiáveis, verificáveis e plurais possam circular livremente. Segundo as organizações, o jornalismo investigativo é crucial para expor casos de corrupção, abusos de poder e violações de direitos, fornecendo evidências que auxiliam a sociedade a compreender a realidade e a cobrar responsabilidades.
As entidades expressam preocupação com propostas ligadas a Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente, e fazem um paralelo com o mandato de seu pai, Jair Bolsonaro. O editorial aponta que o período foi marcado por repressão ao jornalismo, incluindo agressões verbais e intimidações a profissionais da área. Dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) indicam um aumento expressivo na violência contra jornalistas e ataques à imprensa durante o governo anterior.
Dados apresentados no editorial pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) mostram que, em 2022, 41,6% dos alertas de violações à liberdade de imprensa envolveram membros da família Bolsonaro. As organizações signatárias argumentam que o candidato tende a replicar esses ataques, especialmente ao priorizar a libertação de seu pai e ao propor alterações na Constituição, caso eleito.
As entidades afirmam que questionamentos sobre a legitimidade de eleições, confrontos com instituições fiscalizadoras e planos de modificação dessas mesmas instituições representam graves ameaças. A trajetória do grupo político é vista como um sinal de alerta para a saúde democrática do país.
Conforme o editorial, o cerceamento do trabalho jornalístico prejudica o acesso da população a informações de interesse público e enfraquece a capacidade de fiscalização do poder. A imprensa livre, por sua vez, depende de instituições que assegurem direitos, garantam acesso a dados públicos e protejam profissionais contra intimidações e responsabilização legal.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi contatada para se manifestar sobre o editorial, mas não houve retorno até o momento, e o espaço permanece aberto para comentários. Em evento recente no Rio de Janeiro, Bolsonaro afirmou que garantiria a liberdade de imprensa caso eleito, embora sua campanha tenha acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender 221 postagens, alegando disseminação de desinformação contra sua candidatura.
