
Campinas registrou um aumento de 30,3% no número de quedas de árvores entre janeiro e 14 de setembro deste ano, comparado a todo o ano de 2025. Foram 713 ocorrências no período atual, contra 547 no ano anterior. A escalada acontece em um cenário de temporais frequentes, com 60 incidentes apenas na chuva com granizo da última sexta-feira (9), quando ventos ultrapassaram os 60 km/h. A precipitação acumulada na cidade já excede em cerca de 300 milímetros o total de 2025.
A situação tem gerado apreensão entre os moradores, que convivem com árvores em estado considerado de risco e expressam insatisfação com a lentidão nos serviços de poda e vistoria. Ana Maria Ferreira, moradora do Jardim Boa Esperança, relata que aguarda há oito anos uma poda em uma árvore na frente de sua casa. Ela busca apenas a intervenção para evitar danos maiores, como os já causados por raízes na calçada e em portões, além de galhos sobre propriedades vizinhas.
A microempresária foi informada pelo serviço 156 que não há previsão para a realização do serviço, demonstrando um sentimento de descaso com os chamados. Ela relatou que os galhos já chegaram a danificar o motor do seu portão e que as raízes provocaram estragos na calçada.
Especialistas apontam que o plantio inadequado de espécies em ambientes urbanos e a falta de manejo técnico contribuem para os problemas. O engenheiro florestal Rodolpho Schmidt explica que o desenvolvimento precário das raízes em solos compactados e a ausência de acompanhamento profissional em podas e supressões podem levar a riscos. Ele ressalta a importância de laudos técnicos emitidos por profissionais habilitados para solicitar intervenções emergenciais.
No Jardim Roseira, um galho tem permanecido sobre a rede elétrica por cerca de quatro meses, mesmo após a abertura de quatro protocolos de solicitação de poda pela advogada Karen Meidas. Ela teme pela segurança dos moradores, especialmente crianças, devido ao balanço da árvore durante as chuvas, relembrando incidentes anteriores com quedas de galhos.
Dados da prefeitura indicam uma queda de 8% nos pedidos de poda registrados no telefone 156 entre janeiro e setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. Mais alarmante, o número de podas efetivamente realizadas pela administração municipal sofreu uma redução de 35% no mesmo intervalo.
A Prefeitura de Campinas informou que o Departamento de Parques e Jardins (DPJ) realizará vistorias nos locais apontados pelos moradores em até cinco dias úteis. A administração municipal declara que os pedidos de poda são avaliados por critérios técnicos de conservação das árvores e que as intervenções ocorrem após a emissão de laudos. Estima-se que cerca de 500 árvores sejam avaliadas mensalmente pelas equipes da pasta.
