Pontal do Paranapanema se destaca no estado com votação expressiva para Lula no primeiro turno das eleições

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Um contraste geográfico e político marcou o primeiro turno das eleições presidenciais no estado de São Paulo neste domingo (4). Enquanto a maioria dos municípios paulistas indicou Flávio Bolsonaro como o candidato preferido, sete cidades localizadas na região do Pontal do Paranapanema apresentaram um cenário diferente, com a vitória de Lula. A região compreende cidades próximas às divisas com os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.

Os municípios em questão são Rosana, Euclides da Cunha Paulista, Teodoro Sampaio, Mirante do Paranapanema, Caiuá, Sandovalina e Marabá Paulista. Em Sandovalina, Lula obteve 59,36% dos votos válidos, seguido de perto por Euclides da Cunha Paulista, com 59,09%. Em Teodoro Sampaio, o candidato do PT alcançou 48,52%, superando Flávio Bolsonaro por uma pequena margem. Resultados semelhantes foram observados em Rosana, Caiuá, Marabá Paulista e Mirante do Paranapanema, onde Lula também se manteve à frente do adversário.

Pesquisadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp (FCT-Unesp) de Presidente Prudente atribuem esse resultado a uma combinação de fatores históricos, econômicos, políticos e geográficos específicos da região. Uma característica marcante do Pontal do Paranapanema é a alta concentração de assentamentos rurais, sendo uma das áreas com maior número de projetos e famílias assentadas no país.

Carlos Alberto Feliciano, professor doutor e coordenador do Programa de Pós-graduação em Geografia da FCT-Unesp, explica que as famílias assentadas desempenham um papel crucial na economia local. Elas impulsionam o desenvolvimento por meio da produção agrícola, participação em feiras e pelo consumo de bens e serviços no comércio das pequenas cidades. Essas ações, aliadas a políticas públicas como o crédito para agricultura familiar e programas sociais, fortalecem a permanência dessas famílias e a movimentação econômica regional.

Feliciano também destaca que a história de luta pela terra na região, com a atuação de movimentos socioterritoriais, contribuiu para a formação de uma consciência política voltada às questões agrárias e sociais. Ele aponta que, apesar do avanço da produção de cana-de-açúcar na região, esse modelo não gera o mesmo impacto socioeconômico local, diferentemente das atividades desenvolvidas pelas famílias assentadas.

A análise dos especialistas sugere que a escolha eleitoral no Pontal do Paranapanema reflete uma coerência entre as pautas sociais, historicamente defendidas por determinados partidos políticos, e a realidade vivida pelos moradores da região. A manutenção das famílias nos assentamentos, impulsionada por políticas de reforma agrária e programas de apoio, parece ter influenciado diretamente o comportamento do eleitorado local.

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