Flávio Bolsonaro e PL lideram uso indevido de inteligência artificial em campanhas eleitorais, aponta observatório

Mais lidas

Levantamento aponta que 60% dos conteúdos gerados por IA em redes sociais não foram sinalizados. Flávio Bolsonaro e o PL são os principais disseminadores de material não rotulado ou de desinformação.

Um levantamento conduzido pelo Observatório IA nas Eleições revelou que a maioria dos conteúdos políticos criados por inteligência artificial e divulgados em redes sociais entre janeiro e agosto de 2026 não recebeu a devida sinalização. Essa prática contraria as determinações da Justiça Eleitoral, que exige a identificação do uso da tecnologia.

A pesquisa, realizada pela Data Privacy Brasil e pelo Aláfia Lab, analisou 413 conteúdos e constatou que aproximadamente 60% foram classificados como sátiras, com o intuito de ridicularizar figuras políticas. Outros 40% foram identificados como desinformação. O estudo levanta preocupações sobre a disseminação dessas publicações sem o devido alerta ao público sobre a origem tecnológica.

O observatório destacou que tanto os responsáveis pelas publicações quanto as plataformas digitais podem estar falhando na moderação. Apesar da existência de ferramentas de rotulagem, o monitoramento de conteúdos sintéticos, como deepfakes, parece ser insuficiente, contribuindo para a propagação de material não identificado.

Entre os conteúdos de desinformação ou não sinalizados, a maior parte foi veiculada por usuários anônimos. Contudo, entre os candidatos que utilizaram essa ferramenta, o ex-deputado e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) figura em primeiro lugar, com 13 publicações. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) aparece em seguida, com 10 postagens.

O Partido Liberal (PL) foi o que mais disseminou mensagens geradas por inteligência artificial de forma indevida, totalizando 28 publicações. O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) registraram quatro e duas publicações, respectivamente.

A manipulação de imagens ou vozes de personalidades públicas, conhecida como deepfake, foi a técnica predominante em 81% dos casos identificados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o principal alvo, com sua imagem ou voz alterada em 112 publicações com conotação pejorativa. Flávio Bolsonaro foi alvo de 57 dessas manipulações.

Deepfake é definido como conteúdo sintético, manipulado por IA, que reproduz ou altera a imagem, voz ou manifestação de indivíduos com alto grau de realismo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu o uso de deepfake em propagandas eleitorais, quando a finalidade for enganar o eleitor.

#inteligência artificial#eleições#desinformação#deepfake#redes sociais#política

spot_img
spot_img

Últimas Notícias