Dólar opera perto de R$ 5,15 com aversão ao risco global e tensões internas

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Moeda americana registrou alta no dia e Ibovespa recuou, reflexo de incertezas políticas no Brasil, avanço do petróleo e tensões geopolíticas internacionais. Mercado aguarda decisões de juros nos EUA e mantém expectativa de corte na Selic.

O dólar encerrou o pregão da última segunda-feira (14) em alta, flertando com a marca de R$ 5,15, impulsionado pela aversão a risco nos mercados internacionais e por incertezas no cenário político brasileiro. A divisa americana operou pressionada pela valorização no exterior, com investidores buscando ativos considerados mais seguros diante do avanço do petróleo e de tensões geopolíticas. A bolsa brasileira, o Ibovespa, também sentiu o impacto, registrando uma queda de quase 1%.

Durante o dia, a moeda americana chegou a avançar mais de 1%, atingindo o pico de R$ 5,183. No entanto, a cotação cedeu parte da alta no período da tarde, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizarem possíveis negociações com o Irã, o que aliviou parte das preocupações com a oferta global de petróleo. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis moedas fortes, avançava 0,41% no fim da tarde.

No Brasil, a instabilidade política contribuiu para o desempenho da moeda. A divulgação de pesquisas eleitorais e desdobramentos de investigações envolvendo o Banco Master, com destaque para o caso relacionado ao ministro Alexandre de Moraes, que será analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15), geraram incertezas no mercado.

O Ibovespa finalizou o pregão em queda de 0,91%, aos 185.500,88 pontos, com volume financeiro de R$ 24,4 bilhões. A baixa foi influenciada principalmente por ações de mineradoras, em um contexto de recuo nos contratos futuros de minério de ferro na China. O cenário político interno e preocupações globais com o avanço da inteligência artificial também impactaram o sentimento dos investidores.

O petróleo Brent foi um dos principais fatores de pressão, com o preço do barril para novembro chegando a atingir US$ 109,80 em certo momento da manhã, alta de quase 5%. A valorização foi motivada por novos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. Contudo, o barril encerrou o dia a US$ 105,68, um aumento de 1,02%, após sinais de possíveis negociações entre EUA e Irã e notícias sobre a Ucrânia.

A alta do petróleo reacende preocupações inflacionárias e pode influenciar as decisões de política monetária das principais economias. No mercado de juros brasileiro, a expectativa é de continuidade no ciclo de cortes da Selic, enquanto o Federal Reserve (Fed), banco central americano, anunciará sua decisão de política monetária na quarta-feira (17).

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