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Francilene Garcia, da SBPC, critica a ausência de debates sobre ciência, transição energética e desafios futuros na atual campanha eleitoral, dominada por escândalos.
A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, lamentou a ausência de discussões sobre temas cruciais para o futuro do Brasil no atual cenário eleitoral. Enquanto escândalos políticos e disputas pessoais dominam o debate público, questões estratégicas como envelhecimento populacional, transição energética e a necessidade de processar minerais críticos em território nacional foram deixadas de lado. Garcia, que também é professora e pesquisadora, criticou a polarização que força uma falsa escolha entre a integridade das instituições e o planejamento de desenvolvimento do país.
Em entrevista, Garcia destacou que a ciência brasileira, essencial para o enfrentamento de crises e para o progresso nacional, tem sido tratada de forma periférica nas campanhas. Segundo ela, a dependência de regras estáveis, orçamento previsível e atenção contínua tornam a ciência um pilar fundamental, especialmente diante de ameaças como novas crises sanitárias. A SBPC, por meio do Observatório das Eleições, tem buscado apresentar propostas de políticas públicas em áreas como mudanças climáticas, transformações digitais e preparação para pandemias, visando qualificar o debate.
A presidente da SBPC apontou que, historicamente, a ciência raramente figura nas pautas eleitorais, com exceções pontuais. Ela citou 2020, durante a pandemia de covid-19, e 2024, com as enchentes no Rio Grande do Sul e eventos climáticos extremos em outras regiões, como momentos em que a temática ganhou mais relevância. Contudo, o debate eleitoral atual parece ter se distanciado desses assuntos vitais para um projeto de nação.
Garcia enfatizou que a discussão sobre a integridade das instituições e a proposição de um projeto de desenvolvimento para o país não são agendas excludentes, mas sim complementares e interdependentes. A entidade que lidera defende que ambos os aspectos são essenciais para a construção de um futuro próspero e resiliente para o Brasil. A falta de engajamento das candidaturas com a ciência e outros temas de longo prazo preocupa a comunidade científica.


