Justiça decreta falência do Grupo Ricoy com dívida superior a R$ 500 milhões

Mais lidas

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a falência do Grupo Ricoy, responsável por 33 empresas de redes atacadistas no estado, incluindo marcas em Itapetininga e Jundiaí. A decisão, datada de 28 de agosto, atende a um processo que tramita desde o final de 2025 e que aponta um endividamento reconhecido de R$ 518 milhões com mais de 5 mil credores. A magistrada Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, determinou o bloqueio de todos os bens e contas bancárias vinculadas aos CNPJs do grupo.

A falência foi decretada após a rejeição do plano de recuperação judicial apresentado pelo próprio grupo em assembleia de credores realizada em julho de 2025. Um plano alternativo proposto pelos credores também não obteve o quórum necessário para aprovação. Diante deste cenário, a juíza convolou a recuperação judicial em falência, considerando a inviabilidade do prosseguimento do plano.

O processo judicial revela diversos fatores que levaram à situação financeira crítica do Grupo Ricoy. Entre eles, cita-se o corte de fornecimento de água em uma unidade do Vencedor Atacadista, em Várzea Paulista, devido a faturas atrasadas, o que levou o grupo a buscar uma liminar para evitar novas interrupções. Em Jundiaí, a prefeitura cobrava uma dívida de R$ 74 mil em impostos.

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e Região também denunciou irregularidades, como a alienação fraudulenta de equipamentos e mercadorias, prática que visaria esconder patrimônio para evitar o pagamento de credores. Um relatório de fiscalização judicial apontou o fechamento repentino de pelo menos 19 lojas e o desvio de faturamento das unidades para impedir a penhora de bens.

O Grupo Ricoy, que já possuía a rede Pão de Mel em Itapetininga com três unidades, chegou a operar 96 lojas e empregar mais de 5 mil funcionários em 76 municípios paulistas. A dívida declarada pela empresa soma R$ 518.995.719,49, além de um montante de R$ 172 milhões junto à União e prefeituras de cidades como São Paulo e Carapicuíba.

Em sua petição inicial, o grupo atribuiu o colapso financeiro à forte concorrência do setor atacadista, incertezas fiscais após a incorporação de outro grupo em 2012 e o aumento da taxa Selic a partir de 2022. Recentemente, os fundadores venderam suas ações a Cícero Santos Guedes, que assumiu a administração em março deste ano com a promessa de injetar R$ 50 milhões, valor que, segundo o processo, nunca foi depositado. Sob a nova gestão, a empresa deixou de apresentar documentos financeiros essenciais à Justiça.

spot_img
spot_img

Últimas Notícias