Produtores rurais da região de Tanabi registram perdas significativas de animais e prejuízos financeiros devido à alta proliferação da mosca-do-estábulo, associada ao manejo inadequado da vinhaça.
Pecuaristas do noroeste paulista enfrentam uma crise alarmante causada pela intensa infestação da mosca-do-estábulo. O inseto, que se alimenta do sangue de animais, está provocando debilidade, anemia e até a morte de bovinos, gerando prejuízos vultosos para os produtores. A situação se agrava com a perda de peso e a palidez dos animais afetados, que sofrem com a constante sucção de sangue.
Na cidade de Tanabi, a situação se tornou insustentável para criadores como Marcos Rogério Bordignon, que já lamenta a morte de 14 cabeças de gado, totalizando um prejuízo de R$ 70 mil. Apesar de a mosca-do-estábulo ser uma presença conhecida na região, a concentração deste ano superou as expectativas. Outro produtor, João Tobias Neto, também registrou a morte de uma vaca em sua propriedade, e relata que os insetos não atacam apenas bovinos, mas também outros animais e até seres humanos.
A atividade incessante das moscas altera drasticamente a rotina e o comportamento do rebanho. Os animais passam o dia em claro, lutando para se livrar dos insetos, o que causa grande desgaste físico e energético. Consequentemente, a alimentação é prejudicada, levando o gado a se alimentar apenas durante a noite, período de menor atividade dos parasitas. Bezerros são os mais vulneráveis e sofrem intensamente com os ataques.
A proliferação em larga escala da mosca-do-estábulo na região está diretamente ligada ao uso da vinhaça, subproduto do processamento da cana-de-açúcar, que é empregado como fertilizante. A aplicação excessiva e o armazenamento inadequado deste resíduo criam um ambiente propício para a reprodução do inseto. A Cetesb já identificou irregularidades no manejo da vinhaça por parte de usinas locais, resultando em multas e a cobrança de providências por parte dos produtores afetados.
Diante do cenário de mortandade de animais, a Secretaria de Agricultura e Pecuária iniciou visitas às propriedades rurais para orientar os criadores sobre estratégias de controle. Enquanto a causa principal da infestação não é totalmente resolvida pelas usinas, medidas paliativas incluem o uso de inseticidas e repelentes, a higiene rigorosa das instalações, cochos e áreas de alimentação, além do controle da umidade e a destinação adequada de sobras de alimentos.
A Usina Tereos, procurada para comentar o assunto, afirmou que a aplicação de vinhaça em suas plantações de cana-de-açúcar segue as normas ambientais e que a empresa tem adotado medidas para mitigar a infestação da mosca-do-estábulo na área de Tanabi.


