Brasil pode suprir até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos EUA

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País tem potencial para fornecer entre 90 mil e 120 mil toneladas das 300 mil autorizadas pelos Estados Unidos, visando reduzir preços no mercado americano.

O Brasil está posicionado para atender até 40% da nova cota de importação de carne bovina estabelecida pelos Estados Unidos, conforme anúncio do presidente Donald Trump. Estima-se que frigoríficos brasileiros possam fornecer de 90 mil a 120 mil toneladas das 300 mil toneladas adicionais liberadas para importação nos próximos 90 dias.

A medida americana visa aumentar a oferta interna de carne e conter a elevação dos preços, especialmente da carne moída, diante de uma redução no rebanho bovino local. Com regras de importação mais claras, o Brasil surge como um dos principais candidatos a suprir essa demanda emergencial, enquanto os EUA implementam medidas para incentivar a recuperação de seu gado.

Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, avalia que o porte da indústria frigorífica brasileira e o número de estabelecimentos habilitados para exportar aos EUA conferem ao país uma vantagem competitiva. Atualmente, o Brasil já participa de uma cota de 52,4 mil toneladas sem tarifas adicionais, volume que foi totalmente consumido em apenas 15 dias no ano corrente.

A cota adicional de 300 mil toneladas, vigente por 90 dias, oferece condições mais favoráveis de acesso ao mercado americano, sem a tarifa extra de 26,4% que incide após o esgotamento da cota regular. No período de janeiro a agosto deste ano, os Estados Unidos já importaram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, um aumento de 28,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Embora concorrentes como Paraguai e países da América Central também disputem esse mercado, o Brasil se destaca pelo volume de sua produção e pela infraestrutura exportadora. A disputa por esse mercado adicional dependerá da capacidade de cada país em oferecer o produto com preços competitivos para os compradores americanos.

Um fator crucial para o sucesso brasileiro será a viabilidade econômica de exportar os cortes específicos procurados pelos EUA, conhecidos como ‘trimmings’, utilizados na produção de carne moída. Os frigoríficos brasileiros precisam analisar cuidadosamente os preços oferecidos, os custos logísticos e o retorno comparado a outros mercados para determinar a atratividade dessa operação.

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