
A Polícia Civil de Presidente Prudente deu início às oitivas de testemunhas na investigação sobre a criação e o compartilhamento de um “ranking” sexual que envolvia estudantes universitárias da cidade. A corporação informou que, até esta terça-feira (8), 20 vítimas já haviam sido identificadas no caso. As alunas foram expostas a avaliações de cunho sexual e depreciativo em um grupo fechado de aplicativo de mensagens.
De acordo com a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que conduz a apuração, 13 boletins de ocorrência foram registrados pelas vítimas em relação à prática. A polícia optou por não divulgar detalhes dos depoimentos para não comprometer a investigação, mas reafirmou que os trabalhos prosseguem visando a responsabilização dos envolvidos. A DDM também avalia a possibilidade de outras vítimas serem identificadas durante o andamento do processo.
As fotos das estudantes utilizadas no “ranking” foram obtidas de suas redes sociais sem autorização e circularam em um grupo privado. O conteúdo vazado continha comentários ofensivos e degradantes sobre as universitárias, como termos de cunho sexual explícito e julgamentos sobre orientação sexual e aparência física. Essas avaliações eram repercutidas dentro do grupo com falas que desrespeitavam as colegas.
Os comentários e a exposição das universitárias geraram protestos no campus da instituição de ensino. Especialistas em estudos de gênero analisaram o caso, apontando para elementos de misoginia, lesbofobia e gordofobia como parte da violência sofrida pelas vítimas. A objetificação sexual, quando um indivíduo é tratado como mero objeto de desejo em vez de ser humano, também foi destacada como característica da situação.
A forma como o material foi produzido e divulgado pode configurar crimes como importunação sexual, injúria e difamação, segundo avaliação da presidente da Comissão sobre Crimes Sexuais da OAB. As investigações buscam identificar os responsáveis pela criação e disseminação do “ranking” para que as devidas providências legais sejam tomadas.


