
As regiões de Campinas e Piracicaba, no interior de São Paulo, podem registrar um aumento de até 2°C na temperatura média devido à chegada do fenômeno Super El Niño. A projeção, divulgada pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), indica um cenário de calor atípico para o período. Outras áreas do estado paulista e o sul de Minas Gerais também enfrentarão elevações significativas.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento incomum da superfície do Oceano Pacífico, próximo à Linha do Equador, o que contribui para temperaturas mais elevadas na atmosfera e reduz a frequência de ondas de frio. O Cptec também prevê que a região de Ribeirão Preto terá um aumento médio de 2,5°C, São Carlos de 2°C e o sul de Minas Gerais de 1,8°C.
Pesquisadores alertam que, embora o aumento médio previsto seja de até 2°C, picos de temperatura durante os períodos de calor intenso podem superar a média em mais de 5°C. A intensidade do El Niño atual já é considerada uma das mais fortes já registradas, com a temperatura do Oceano Pacífico 2,3°C acima do normal nesta época, superando o recorde anterior de 1997.
O aquecimento oceânico intensificado pelo El Niño também tem influência na distribuição das chuvas pelo país. Enquanto o norte e o nordeste tendem a enfrentar maior risco de seca, o sul do Brasil pode registrar chuvas mais volumosas devido ao bloqueio de frentes frias vindas do Atlântico Sul. Essa dinâmica restringe a chegada de frentes frias mais frias ao Sudeste, mantendo as temperaturas elevadas na região.
O calor extremo impulsionado pelo Super El Niño é um fator importante para a formação de temporais violentos, com potencial para microexplosões. Ventos fortes em grandes altitudes podem sugar o ar quente e úmido da superfície, acelerando o desenvolvimento e a duração das tempestades. Esses eventos podem gerar ventos de até 200 km/h, causando considerável destruição, como ocorrido em Ribeirão Preto em 2026, quando ventos atingiram 160 km/h.
Especialistas ressaltam a necessidade de adaptação da sociedade diante da intensidade do fenômeno, que pode ser agravada pelo aquecimento global. As mudanças climáticas exigem a adoção de medidas para lidar com um cenário de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e calor excessivo.


