
O cenário de Campinas (SP) viu uma redução drástica no número de bancas de jornal, que despencou de 503 pontos em 2003 para os atuais 221. Essa diminuição reflete as transformações nos hábitos de consumo e na penetração da internet, forçando esses estabelecimentos a buscar novas estratégias de sobrevivência.
Para se manterem relevantes e financeiramente viáveis, as bancas de jornal passaram por uma profunda diversificação em seus catálogos de produtos. Além das tradicionais publicações impressas, como jornais e revistas, e itens clássicos como álbuns de figurinhas, os estabelecimentos agora comercializam uma gama variada de mercadorias. Essa expansão inclui bebidas, cigarros, acessórios para smartphones, pequenos brinquedos e até flores, transformando-se em verdadeiros pontos de conveniência.
O aposentado Edson Medeiros, cliente de uma banca fundada na década de 1950, expressa a importância desses locais para quem prefere o contato físico com as publicações. Ele ressalta que muitos consumidores, assim como ele, não se adaptaram totalmente ao consumo digital e valorizam a experiência de folhear um jornal ou montar palavras cruzadas em papel. Medeiros observa que, apesar do avanço da internet, ainda existe um público fiel que busca informações e lazer em formatos impressos.
Denilson Falsarella, proprietário de uma banca, reconhece a necessidade de inovação para o sucesso do negócio. Ele explica que a diversidade de produtos, incluindo materiais para pet, palavras cruzadas que ganharam popularidade, itens de tabacaria, refrigerantes, HQs e livros, é essencial. Falsarella enfatiza que a adaptação é uma constante em qualquer profissão e que um bom ponto comercial e a tradição ajudam a manter a clientela.
Segundo o urbanista João Verde, as mudanças tecnológicas, comportamentais e de consumo são os principais fatores por trás da menor presença das bancas. Ele explica que, enquanto no passado as bancas eram pequenas estruturas focadas em jornais e revistas, a tendência atual é de encolhimento ou mesmo desaparecimento devido ao avanço do comércio eletrônico em todos os setores, o que representa um desafio significativo para o setor.
O centro de Campinas concentra o maior número de bancas, com 62 estabelecimentos, mas elas também marcam presença em bairros como Ponte Preta, Cambuí, Vila Industrial, Jardim Campos Elísios e Vila Padre Emanuel da Nóbrega. A análise de mercado e a busca por custos operacionais mais baixos, como aluguéis e IPTU, influenciam a localização desses comércios, que se movem em direção aos locais com maior demanda e potencial de venda, acompanhando as transformações na atividade das pessoas.


