Grupo usou imóveis e escritório em Piracicaba em esquema de fraudes no ICMS, aponta MP

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Um esquema de corrupção, fraude tributária e lavagem de dinheiro na Secretaria da Fazenda de São Paulo, envolvendo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), utilizou transações imobiliárias e um escritório na cidade de Piracicaba para movimentar recursos. A investigação aponta o pagamento de propina a agentes públicos para a liberação indevida de créditos acumulados de ICMS para grandes empresas.

As suspeitas vieram à tona após uma operação realizada nesta quinta-feira (3), que resultou na prisão de André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Fazenda de São Paulo, e do advogado João André Buttini de Moraes. A ação policial ocorreu em diversas cidades paulistas, na Grande São Paulo e também no Mato Grosso do Sul.

Em Piracicaba, André Weiss foi detido em um condomínio no bairro São Dimas. As investigações indicam uma ligação financeira entre um escritório tributário piracicabano, localizado no bairro Jardim Europa, e a banca do advogado João André Buttini de Moraes, com repasses financeiros milionários entre as empresas.

As apurações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também incluem a análise de operações imobiliárias realizadas por Weiss e sua companheira em Piracicaba e cidades vizinhas, como Jundiaí, Rio das Pedras e São Pedro. O MP suspeita que as diferenças entre os valores declarados e as avaliações dos imóveis possam caracterizar tentativa de lavagem de dinheiro.

Um exemplo citado pela promotoria é a compra de um imóvel avaliado em R$ 141 mil, que teria sido declarado por Weiss por R$ 620 mil. Além disso, foram identificadas transferências financeiras do ex-diretor para o seu cunhado, um advogado residente em Piracicaba, levantando a hipótese de que contas bancárias e participações em empresas ligadas a ele tenham sido usadas para inserir recursos do esquema no sistema financeiro.

O esquema, detalhado por meio de delações premiadas, gravações e quebras de sigilo, envolvia um núcleo de iniciativa privada que negociava com empresas a facilitação na liberação de créditos de ICMS e um núcleo de agentes públicos que recebiam propina para agilizar a liberação legal desses valores. A propina cobrada poderia chegar a 10% do valor do crédito. Um investigado confessou ter recebido mais de R$ 13,6 milhões em quatro anos.

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