Veto da União Europeia à carne brasileira não deve baratear o produto no país

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Bloqueio de exportações de carne bovina e outros produtos para a UE não deve impactar preços no mercado interno devido ao baixo volume exportado. Analistas apontam tendência de alta nos cortes.

A União Europeia suspendeu, a partir desta quinta-feira (3), as importações de carne bovina e outros produtos de origem animal do Brasil. A decisão levanta o questionamento se o embargo pode levar a uma redução nos preços da carne para o consumidor brasileiro, uma possibilidade considerada remota por especialistas.

A medida europeia foi anunciada em maio, após o Brasil ser retirado da lista de países que atendem às exigências do bloco quanto ao uso de antimicrobianos na pecuária. A União Europeia proíbe o uso dessas substâncias para estimular o crescimento de animais e também restringe o emprego de antimicrobianos destinados ao tratamento humano em animais.

Fernando Enrique Iglesias, analista do Safras & Mercado, explica que o volume de carne bovina exportado para a União Europeia é insignificante para gerar impacto nos preços domésticos. Em 2023, o bloco representou apenas 3,7% do volume e 5,8% do valor das exportações brasileiras de carne bovina, segundo dados do Ministério da Agricultura. Os cortes enviados à UE incluem filé mignon, contrafilé e alcatra, entre outros.

Na contramão de uma possível queda, os preços da carne no Brasil têm registrado alta. De acordo com o IBGE, na prévia da inflação de agosto, os cortes bovinos acumulam aumento de 8,53%, com destaque para filé mignon (15,2%) e contrafilé (11,5%). Iglesias projeta que os preços, inclusive dos cortes nobres, tendem a subir até o fim do ano, impulsionados pelo aumento das exportações para outros mercados e pela menor oferta de gado para abate.

A expectativa é de um aumento nas exportações para a China, que estabeleceu uma cota para importação de carne bovina brasileira em 2026. Com a retomada dos abates para atender ao mercado chinês e aproveitar a cota, espera-se uma boa performance de exportação no final do ano. Paralelamente, o país enfrenta a baixa do ciclo pecuário, período caracterizado pela redução no número de bovinos disponíveis para o abate, o que tende a pressionar os preços para cima.

A suspensão de importações pela UE também afeta outros produtos brasileiros, como frango, carne suína, mel, pescados e ovos. A reversão da medida depende de negociações entre o governo brasileiro e o bloco europeu. Auditorias nas cadeias de produção de frango e mel estão em andamento na UE, e o resultado pode influenciar futuras decisões.

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