Preparação do SUS para garantir cuidados oncológicos em crises é debatida

Mais lidas

O impacto de crises, como pandemias e desastres naturais, na continuidade do tratamento de pacientes com câncer é uma preocupação crescente no Brasil. A interrupção de consultas e tratamentos pode ter consequências graves para aqueles que dependem de diagnósticos e cuidados contínuos. O câncer é a segunda principal causa de morte no país, e as projeções indicam um aumento significativo de casos até 2050.

Diante desse cenário, a resiliência do sistema de saúde, especialmente do SUS, é fundamental. A experiência com a pandemia de Covid-19 e as inundações no Rio Grande do Sul em 2024 evidenciam a necessidade de um sistema que funcione mesmo em situações adversas. A interrupção de serviços de saúde pode afetar mais intensamente aqueles que já enfrentam barreiras sociais e econômicas.

Um workshop nacional realizado no Rio de Janeiro, em dezembro de 2025, reuniu especialistas para discutir como preparar o SUS para enfrentar crises. O evento, organizado pela IARC, OPAS e INCA, resultou em um artigo publicado no periódico The Lancet Regional Health – Americas, que destaca a importância de intervenções em governança, prestação de serviços, recursos e financiamento.

Entre as prioridades discutidas, destaca-se a incorporação da assistência oncológica em planos de emergência, a integração de sistemas de informação em saúde e a proteção da infraestrutura e da força de trabalho. Além disso, é vital planejar a recuperação da assistência com foco na equidade e garantir mecanismos de financiamento flexíveis para emergências.

Essas medidas visam não apenas restabelecer serviços após crises, mas também garantir que o cuidado oncológico seja mantido durante emergências. A preparação do SUS para situações críticas é uma oportunidade de reafirmar seu compromisso com a universalidade e equidade no acesso à saúde, assegurando que todos os pacientes tenham acesso a cuidados dignos e oportunos, independentemente das circunstâncias.

Últimas Notícias