
Iniciativa de chefs e pesquisadores da UFSC transforma ostras e outros frutos do mar em conservas, visando atender turistas e estabilizar a produção frente às variações climáticas e econômicas.
Florianópolis, SC – Uma iniciativa inédita no Brasil promete revolucionar o mercado de maricultura: a produção de ostras em lata. Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com chefs locais, o projeto visa oferecer aos turistas uma nova forma de levar um sabor catarinense para casa e, ao mesmo tempo, dar mais segurança e rentabilidade aos produtores diante das instabilidades do setor.
A ideia surgiu da necessidade de criar produtos com maior tempo de prateleira, facilitando o comércio e o consumo fora da região de produção. O chef Helton Costa, idealizador do projeto, buscou aliar o apelo turístico dos frutos do mar de Santa Catarina, responsável por 98% da produção nacional de ostras e mariscos, a uma opção de presente e consumo duradouro. A pesquisa levou um ano e meio para validar o processo, que agora abrange também lulas, polvos e mexilhões, buscando manter a qualidade original de sabor e textura.
Um dos maiores desafios técnicos foi garantir a segurança sanitária do alimento enlatado, especialmente considerando sua longevidade. A equipe da UFSC, liderada pelo pesquisador Giustino Tribuzi, definiu rigorosos parâmetros de temperatura, pressão e resfriamento para a esterilização dos produtos dentro das latas. O objetivo é assegurar que os alimentos fiquem isentos de microrganismos que possam se desenvolver durante o armazenamento, garantindo a saúde do consumidor.
A empresa responsável pela produção, localizada no bairro Saco Grande, já recebeu a certificação do Serviço de Inspeção Municipal de Florianópolis, atestando a qualidade e segurança dos produtos. Trata-se da primeira indústria do país focada em ostras e mexilhões enlatados. Os produtos já estão disponíveis para venda, com opções de lulas, mexilhões, polvos e ostras, custando entre R$ 79,12 e R$ 99,23 por lata.
A nova linha de conservas surge em um momento crucial para a maricultura catarinense, que enfrenta desafios como as variações climáticas que afetam a disponibilidade de moluscos. Felipe Suplicy, pesquisador da Epagri, destaca a importância da diversificação de produtos e embalagens para agregar valor e acessar novos mercados. Essa inovação representa um passo significativo para a industrialização do setor, oferecendo maior estabilidade aos maricultores e fortalecendo a economia local ligada à atividade.


