
Robson Barbosa, que enfrenta perda progressiva de visão devido a um glaucoma hereditário, está entre os eleitores que superam barreiras para exercer o direito ao voto em Campinas neste domingo (4). A jornada para chegar à seção eleitoral, que em seu caso envolveu um trajeto de aproximadamente 1,5 km a pé com auxílio de bengala e de sua esposa, ilustra os desafios enfrentados por diversos moradores.
A condição de Robson, diagnosticada aos 25 anos, o levou a uma adaptação contínua de sua rotina. Após anos de tratamentos e cirurgias, ele hoje possui um campo de visão reduzido, o que exige cuidado redobrado em locomover-se, especialmente em ambientes fechados ou com grande circulação de pessoas. Ele necessita de sua bengala para se orientar em tais situações.
A participação nas eleições também demandou estratégias específicas para Robson. Na eleição de 2022, ele ainda possuía um resíduo visual que permitia a identificação parcial dos números, mas enfrentou dificuldades com o recurso de áudio da urna eletrônica. Desta vez, com a visão ainda mais comprometida, ele conta com o apoio de sua esposa, que o auxilia informando os números dos candidatos durante o processo de votação.
As dificuldades vão além da mobilidade pessoal, abrangendo a própria infraestrutura dos locais de votação. Há relatos de eleitores idosos, como um homem de 93 anos, que precisam subir cerca de 20 degraus para alcançar sua seção eleitoral. Outros eleitores com mobilidade reduzida mencionam ter que desviar de “santinhos” espalhados pelo chão, que representam um risco de queda e dificultam o acesso.
Essas histórias diversas refletem uma realidade comum em diversos colégios eleitorais da cidade, onde o ato de votar se inicia muito antes do eleitor chegar à urna. A necessidade de planejamento, o uso de adaptações e a superação de obstáculos físicos e sensoriais marcam a jornada de muitos cidadãos para garantir sua participação no processo democrático.
