
Colaboradores e cooperados da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam) de Bauru cobram o pagamento de salários e repasses mensais que deveriam ter sido quitados nesta terça-feira (15). A paralisação financeira ocorre em decorrência da Operação Mobius, deflagrada em setembro pelo Ministério Público, que apura supostas irregularidades em contratos entre a entidade e a Prefeitura.
A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) resultou na prisão da ex-presidente da Ascam, Gisele Moretti, e do marido dela, além de outras cinco pessoas, incluindo dois ex-secretários municipais. Com a restrição judicial sobre os ativos da cooperativa, o fluxo financeiro foi interrompido, impedindo a transferência da folha de pagamento, segundo a assessoria jurídica da Ascam.
Em reunião de emergência realizada nesta quinta-feira, trabalhadores expressaram insatisfação e buscaram esclarecimentos sobre os valores pendentes. Apesar das cobranças, a categoria decidiu manter as atividades normais nos pontos de coleta seletiva enquanto aguarda uma decisão da Justiça. Uma nova reunião está marcada para sexta-feira (18) caso o acesso aos recursos não seja liberado.
A Ascam emitiu nota informando que o atraso nos pagamentos está diretamente ligado às medidas cautelares e ao bloqueio de ativos financeiros. A entidade ressalta que existem recursos disponíveis na Secretaria Municipal de Finanças para quitar os débitos, mas que o repasse depende de autorização judicial. A associação afirmou estar tomando as medidas legais cabíveis para regularizar a situação, garantindo a continuidade dos serviços de coleta seletiva e gestão de ecopontos.
A Prefeitura de Bauru informou que acompanha o caso e está adotando as providências administrativas e jurídicas necessárias para assegurar a continuidade dos serviços. O município confirmou que o contrato com a Ascam permanece vigente, e que os repasses financeiros serão condicionados às decisões judiciais e orientações dos órgãos jurídicos competentes. A prefeitura também avalia alternativas legais para proteger os cooperados e solucionar o impasse.
As investigações do Gaeco, que apontam indícios de fraude em uma licitação de mais de R$ 5 milhões para a gestão de resíduos sólidos, tiveram início após denúncias de ameaças a catadores de materiais recicláveis. A apuração revelou a atuação de um esquema para fraudar a licitação, com ligações de um dos investigados a uma facção criminosa.


