
Um incêndio ocorrido na tarde de terça-feira (15) em um edifício de seis andares na Rua Itapemirim, no Jardim Itayu, em Campinas (SP), resultou na morte de um menino de 3 anos e deixou outras duas crianças, de 4 e 6 anos, feridas. O prédio em questão é uma propriedade particular ocupada por cerca de 108 famílias desde 2017 e está envolvido em um processo judicial de reintegração de posse.
Segundo a Prefeitura, o corpo da criança de 3 anos foi encontrado carbonizado após o controle das chamas. Os primos, um menino de 4 anos e uma menina de 6 anos, sofreram queimaduras no rosto e foram encaminhados a hospitais da cidade, com a menina sendo transferida para o Hospital de Clínicas da Unicamp. Uma das mães das crianças também necessitou de atendimento médico e permaneceu internada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
A administração municipal informou que equipes da Secretaria de Habitação tentaram realizar um recadastramento social das famílias ocupantes em visitas recentes, mas os moradores não teriam colaborado. A prefeitura também declarou ter oferecido auxílio-moradia emergencial como alternativa para a desocupação, mas as famílias teriam manifestado o desejo de permanecer no local, sem adesão à oferta.
Uma moradora, que preferiu não se identificar, apresentou uma versão diferente sobre a assistência às famílias. Ela relatou que os ocupantes tentaram negociar a compra direta dos apartamentos com o proprietário, mas a proposta foi recusada. A vizinha também expressou a falta de apoio do poder público, mencionando a presença de crianças, idosos e pessoas com deficiência no local.
O Corpo de Bombeiros classificou o edifício como inabitável, apontando condições precárias e ausência de equipamentos de segurança essenciais, como hidrantes. A corporação foi acionada por volta das 8h42, com sete viaturas mobilizadas para combater o fogo que se concentrou em um dos cômodos do último andar, possivelmente um dormitório.
O primeiro tenente Lucas Henrique Prolezi, do Corpo de Bombeiros, descreveu a dificuldade em localizar a terceira vítima devido à desorganização e acúmulo de materiais no interior da residência. A Polícia Científica esteve no local para apurar as causas do incêndio, que permanecem sob investigação.
A prefeitura comunicou que a eventual desocupação do imóvel dependerá das decisões judiciais proferidas no processo em andamento. A falta de água nos hidrantes do edifício foi mencionada por uma vizinha que percebeu o incêndio pela fumaça e, ao verificar a caixa d’água, constatou a ausência do líquido.


