Ameaça a catadores de recicláveis motivou investigação sobre fraude em licitação bilionária do lixo em Bauru

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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou uma investigação que aponta indícios de fraude em uma licitação bilionária referente à gestão do sistema de resíduos sólidos de Bauru. As apurações tiveram início a partir de denúncias de ameaças direcionadas a catadores de materiais recicláveis, culminando na prisão de sete pessoas, entre elas dois ex-secretários municipais.

Entre os detidos estão a ex-presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam), Gisele Moretti, e seu marido, Valdomiro Pereira da Silva Filho. A Ascam possui contrato com a prefeitura para a coleta de recicláveis e gestão dos ecopontos, com acordos firmados sem licitação, totalizando mais de R$ 5 milhões. As denúncias iniciais, reportadas pela Polícia Militar em março deste ano, sugeriram que Valdomiro possuía ligações com uma facção criminosa e utilizava essa influência para intimidar os catadores.

As apurações das denúncias de ameaça levaram à descoberta de um suposto esquema de desvio de recursos ligado à Ascam, no qual Gisele Moretti teria atuado como articuladora. Diálogos interceptados pelo Ministério Público indicam o envolvimento do casal em um plano para fraudar a licitação da gestão de limpeza pública e coleta de lixo, processo que foi posteriormente suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Em conversas divulgadas pelo MP, Gisele e Valdomiro discutem a possibilidade de solicitar o pagamento de propina a um indivíduo identificado como Mitsunaga, que seria o advogado de Gisele, Luiz Henrique Mitsunaga. Os diálogos mencionados tratavam de valores expressivos, como R$ 80 mil e R$ 100 milhões, que seriam recebidos sem a devida prestação de serviços.

Mesmo antes da publicação do edital da licitação do lixo, Gisele já demonstrava preocupação em não ser prejudicada pela futura concessão, que poderia impactar a coleta seletiva. As investigações do Gaeco se expandiram para incluir outras figuras importantes, como a ex-secretária do Meio Ambiente, Cilene Bordezan, e o ex-CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, cujos nomes surgiram em escutas telefônicas e diálogos entre o casal.

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