O Dia dos Finados, celebrado nesta segunda-feira (2), tem raízes na Igreja Católica desde 998 d.C. No interior de São Paulo, a tradição de homenagear os mortos é mantida por Edson Figueira, de 83 anos, que atua como pedreiro de sepultamentos em Santa Cruz do Rio Pardo há mais de seis décadas.
Edson, apelidado de ‘Raposa’, herdou o ofício do pai e do tio, iniciando sua carreira aos 22 anos. Ele se tornou uma referência na cidade, sendo procurado pelas famílias antes mesmo de resolver questões burocráticas relacionadas aos enterros. “Quando morre uma pessoa da família, eles já vão lá em casa para perguntar do túmulo”, conta.
Com uma média de 30 a 35 sepultamentos mensais, Edson adaptou seu trabalho ao longo dos anos e atualmente atua mais como administrador, supervisionando outros pedreiros. Ele observa que, com o tempo, as ferramentas e técnicas de trabalho melhoraram significativamente.
Além de sua experiência, Edson já preparou o jazigo da própria família, adquirindo um terreno no cemitério há cerca de 30 anos. Após a morte de sua esposa, ele mesmo construiu o túmulo, reaproveitando pedras de uma sepultura demolida.
Um dos momentos mais impactantes de sua carreira foi o enterro de 10 vítimas de um acidente trágico nos anos 60, quando seu pai ainda trabalhava no cemitério. Edson destaca que, embora tenha começado abrindo covas, hoje seu trabalho se concentra na construção e reforma de jazigos.


