O desmatamento na Amazônia pode estar comprometendo a descoberta de novos medicamentos, segundo análise da Zero Carbon Analytics. O estudo estima que a perda de áreas florestais entre 2001 e 2024 coloca em risco cerca de US$ 22 bilhões em potencial comercial para remédios derivados de plantas da região.
Esse valor representa 10,2% do potencial farmacêutico total da Bacia Amazônica, que é estimado em US$ 214,7 bilhões. A pesquisa, publicada em 2026, considera medicamentos ainda não descobertos, ressaltando que a destruição da biodiversidade pode levar à perda de compostos químicos valiosos para novos tratamentos.
As florestas tropicais do mundo, segundo a análise, abrigam um potencial comercial de US$ 714 bilhões em medicamentos desconhecidos, com cerca de 30% desse total associado à Amazônia. Desde 2001, a destruição global das florestas tropicais já colocou em risco aproximadamente US$ 86 bilhões em oportunidades de descoberta de medicamentos.
Para chegar a esses números, a Zero Carbon Analytics utilizou dados sobre a diversidade das espécies vegetais e a perda florestal, combinando informações de satélites com modelos econômicos. A análise destaca que a perda de uma área florestal não implica necessariamente no desaparecimento de todas as substâncias ali presentes, mas a diversidade é crucial para a identificação de novos compostos.
A pesquisa também alerta que, se o desmatamento continuar, até 2050, mais US$ 88 bilhões em potencial comercial podem ser ameaçados. Por outro lado, a interrupção do desmatamento até 2030 poderia preservar cerca de US$ 79 bilhões em oportunidades comerciais. Além disso, os benefícios sociais associados a medicamentos ainda não descobertos podem alcançar US$ 7 trilhões, com o desmatamento desde 2001 colocando em risco US$ 860 bilhões em benefícios potenciais para a saúde.
A Zero Carbon Analytics defende a conservação das florestas tropicais e a proteção da biodiversidade, além de sugerir maior envolvimento dos setores farmacêutico e de biotecnologia no financiamento da conservação e na repartição dos benefícios econômicos com comunidades locais e povos indígenas.


