Após se aposentarem, Carlos Roberto Girotto, de 67 anos, e Odete Vital, de 72 anos, encontraram na mediação de leitura uma nova vocação. Moradores de Ribeirão Preto e Jardinópolis, respectivamente, eles atuam no projeto Clube de Leitura no Cárcere, que leva livros a presídios de São Paulo. A iniciativa é uma parceria entre o Observatório do Livro e da Leitura, a Funap e a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado.
Carlos, ex-representante comercial, começou a mediar leituras após se formar em História e concluir um curso de biblioterapia. Ele realiza encontros na Penitenciária de Ribeirão Preto, onde discute obras literárias com os detentos, ajudando-os a refletir sobre suas vidas e escolhas. Odete, assistente social aposentada, também se formou em biblioterapia e atua no Centro de Progressão Penitenciária de Jardinópolis, onde utiliza a leitura para resgatar sua própria vida social e ajudar os presos a se reconectarem com suas emoções.
O projeto já beneficiou mais de 10 mil adultos em 20 presídios da região, e em 2025, 136 detentos participaram das atividades. A diretora de Operações do Observatório, Luciana Paschoalin, destaca que a atuação dos voluntários não apenas transforma a vida dos presos, mas também proporciona aos aposentados um novo propósito.
Carlos compartilha que muitos participantes inicialmente se interessam apenas pela possibilidade de redução de pena, mas acabam se envolvendo profundamente nas discussões, refletindo sobre suas vidas. Já Odete observa que a leitura ajuda os detentos a revisitar suas histórias e a sonhar com um futuro melhor.
Os clubes de leitura reúnem até 20 pessoas e utilizam livros impressos ou tablets. Cada participante deve ler um livro e produzir um relatório, que pode resultar na redução da pena. Para Carlos, a leitura é uma janela para novos sonhos e possibilidades, permitindo que os detentos imaginem vidas diferentes enquanto ainda estão encarcerados.


