
Investigação revela esquema de diplomas falsos de mestrado e doutorado emitidos por faculdade sem registro no Paraguai, com prejuízos a centenas de brasileiros.
Uma suposta faculdade paraguaia, a Interamericana de Ciências Sociais (FIX), é investigada por emitir diplomas falsos de mestrado e doutorado, atraindo centenas de brasileiros com promessas de títulos acessíveis. Autoridades do Paraguai e do Brasil apuram o esquema, que utilizava intermediários em vários estados para recrutar alunos, prometendo reconhecimento dos diplomas em universidades brasileiras.
Segundo a investigação, a FIX não possuía registro no órgão responsável pelo ensino superior no Paraguai, o Conselho Nacional de Ensino Superior, o que a tornava ilegal para a emissão dos certificados anunciados. Empresários brasileiros, como Ismael Fenner, teriam utilizado o nome de instituições legítimas, como o ISICS, para dar aparência de legalidade ao golpe, o que gerou denúncias de uso indevido de marca.
No Brasil, intermediários como Radamese Lima, que se apresentava como representante acadêmico no Ceará, anunciavam os cursos em áreas como direito, educação e saúde. Ele garantia a possibilidade de reconhecimento dos diplomas em universidades brasileiras, afirmando já ter intermediado mais de cem validações, embora a Polícia Federal suspeite que parte desses reconhecimentos tenha ocorrido com documentação irregular.
As universidades brasileiras que revalidaram os diplomas da FIX começaram a cancelar os títulos após descobrirem a irregularidade da instituição paraguaia. O Ministério da Educação do Paraguai analisou documentos apresentados pela faculdade e constatou que carimbos, assinaturas e outros papéis eram falsos, invalidando os certificados emitidos.
Os cursos eram majoritariamente online, ministrados em português, com encontros semanais. Os alunos eram instruídos a viajar ao Paraguai para supostamente cumprir exigências de validação, mas relatos indicam que muitos estudantes fizeram apenas uma única viagem ao país durante todo o período de estudo. Em uma operação em um hotel em Assunção, promotores paraguaios encontraram cerca de 300 brasileiros, que foram considerados vítimas do esquema.
O prejuízo financeiro para os estudantes ultrapassa o valor das mensalidades, com casos reportados de perdas superiores a R$ 40 mil após a conclusão do curso e posterior perda do reconhecimento do diploma. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por exemplo, cancelou 218 diplomas emitidos pela FIX, alegando ter sido induzida ao erro por documentos falsificados, apesar de a plataforma Carolina Bori ainda registrar mais de 800 títulos da instituição paraguaia reconhecidos em outras universidades brasileiras.


