A Floresta Amazônica acaba de ganhar duas novas espécies de bugios, conforme um estudo genômico publicado na revista Communications Biology. A pesquisa, focada no gênero Alouatta, revelou linhagens desconhecidas que habitam diferentes regiões da Amazônia, resultando na descrição formal do bugio-vermelho-do-Pantepui (Alouatta iroi) e do bugio-vermelho-do-Mato-Grosso (Alouatta matogrossensis).
O bugio-vermelho-do-Pantepui é encontrado na parte norte da Amazônia brasileira, delimitado pelos rios Negro, Branco e Cauaburi. Ele se distingue pela coloração do dorso, que varia entre amarelo-brilhante e dourado, além de características específicas na estrutura óssea da garganta. Já o bugio-vermelho-do-Mato-Grosso vive no sul da Amazônia, entre os rios Madeira e Teles Pires, apresentando pelagem castanho-avermelhada vibrante.
A pesquisa também analisou como o relevo e a vegetação da Amazônia influenciam o fluxo gênico entre as populações de bugios. Grandes rios atuam como barreiras geográficas, isolando grupos e permitindo o acúmulo de diferenças genéticas que resultam em novas espécies. O estudo destaca que a maior parte das espécies amazônicas surgiu recentemente na escala evolutiva, nos últimos milhões de anos.
Em Alta Floresta, no Mato Grosso, o bugio-vermelho-do-Mato-Grosso já foi observado em seu habitat natural, onde a Fazenda Anacã realiza iniciativas de monitoramento da fauna local. No entanto, a situação do bugio-vermelho-do-Mato-Grosso é preocupante, pois a região enfrenta altas taxas de desmatamento e fragmentação florestal. Os cientistas alertam que a espécie pode ser classificada como Criticamente Em Perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A descoberta dessas novas espécies ressalta a importância da preservação dos corredores florestais na Amazônia e a necessidade de estudos contínuos da fauna nativa, a fim de evitar a extinção de espécies antes mesmo de serem conhecidas pela ciência.
