Um caso trágico de sarampo resultou na morte de uma criança no Condado de Lewis, em Nova York, sendo essa a primeira morte pela doença no estado em mais de três décadas. Este evento é parte de um surto que já registrou 178 casos em 2026, com 8 ocorrências na cidade de Nova York. Os Estados Unidos enfrentam o maior número de mortes por sarampo desde 1992, com um total de 4.852 casos reportados este ano, um aumento significativo em relação aos 2.289 do ano anterior.
A situação se agrava após o estado declarar emergência devido ao surto, que se espalha por várias áreas. Apesar do aumento de mortes, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) reconhece apenas três delas, o que gerou controvérsias e pressão política, especialmente de figuras como Robert F. Kennedy Jr., crítico da vacina MMR, que levanta questões sobre a relação entre a vacina e as mortes.
Especialistas alertam que os EUA correm o risco de reviver a era pré-vacinação, com uma taxa de imunização em declínio. Para que a circulação do sarampo seja contida, a cobertura vacinal deve ser superior a 95%. Em 2011, 21 estados estavam acima desse patamar, mas atualmente apenas 10 mantêm essa proteção. Estima-se que 1,7 milhão de crianças não tenham recebido a vacina nos últimos sete anos, um problema exacerbado por movimentos antivacinação.
A vacina tríplice viral MMR, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é recomendada em duas doses. No entanto, a adesão à vacinação tem caído, especialmente após a pandemia de Covid-19. A falta de acesso à vacina, que não é gratuita e depende de seguros de saúde, também contribui para a baixa cobertura vacinal.
O médico infectologista Peter Hotez destaca que a situação atual é resultado de um movimento antivacinação crescente e de políticas de saúde pública inadequadas. Ele alerta que, sem uma mudança significativa nas estratégias de imunização, os EUA podem enfrentar surtos ainda mais graves no futuro. Enquanto isso, o Brasil, apesar de sua própria luta contra a vacinação, tem conseguido controlar o vírus por meio de campanhas de imunização e vigilância epidemiológica eficazes.
