Comprimido diário transforma tratamento do câncer de pulmão no Brasil

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Um novo estudo revelou que o uso diário do comprimido lorlatinibe tem proporcionado resultados surpreendentes no tratamento de câncer de pulmão avançado. Após sete anos de acompanhamento, 55% dos pacientes não apresentaram progressão da doença, um feito inédito para essa condição considerada grave.

O lorlatinibe é indicado apenas para pacientes com uma alteração genética específica chamada rearranjo de ALK, que ocorre em cerca de 3% a 7% dos casos de câncer de pulmão. Apesar de seu custo elevado, em torno de R$ 37 mil mensais, o medicamento representa uma nova esperança para muitos, como é o caso de Paula Piteri, diagnosticada aos 38 anos, que afirma ter recuperado sua perspectiva de futuro após iniciar o tratamento.

A terapia-alvo, como o lorlatinibe, marca uma mudança significativa na abordagem do câncer, permitindo que médicos escolham tratamentos com base nas mutações genéticas dos tumores. O medicamento foi projetado para bloquear uma proteína que estimula o crescimento das células cancerosas e é capaz de atravessar a barreira hematoencefálica, um desafio comum em tratamentos anteriores.

Embora os resultados sejam promissores, especialistas ressaltam que 45% dos pacientes não apresentaram sucesso com o tratamento e que efeitos colaterais, como alterações cognitivas, foram relatados por 52% dos participantes. Além disso, a falta de acesso ao diagnóstico molecular e ao próprio medicamento ainda é uma barreira significativa, já que o lorlatinibe não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS não aprovou a incorporação do lorlatinibe devido ao seu alto custo, o que levanta preocupações sobre a equidade no acesso a tratamentos inovadores. O Ministério da Saúde ainda não se manifestou sobre uma possível reavaliação dessa decisão.

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