A família do goleiro Miguel Meneses, de 14 anos, decidiu autorizar a doação de seus órgãos após sua morte em um acidente de trânsito. Com essa ação, pelo menos seis vidas poderão ser salvas, já que foram captados o coração, fígado, rins e córneas do jovem atleta.
Atualmente, 49.695 pessoas aguardam por um transplante no Brasil, um número alarmante que reflete a dificuldade em atender à demanda crescente. O Brasil é reconhecido mundialmente por seus transplantes, ocupando a quarta posição global em volume absoluto, mas ainda assim, a fila de espera continua a aumentar.
Desde o início do ano, cerca de 7.400 transplantes foram realizados, o que representa apenas 15% dos pacientes que necessitam de doação. A maior parte da espera é por rins, com 46.132 pessoas na fila, seguida por fígados (2.377) e corações (516). Essa alta demanda por rins está relacionada a doenças prevalentes como diabetes e hipertensão, que afetam a função renal.
Os dados mostram que a fila de espera é composta majoritariamente por homens (58%), com a faixa etária mais afetada sendo de 50 a 64 anos. Crianças também estão na lista, com 149 meninos e 157 meninas entre 11 e 17 anos aguardando por um transplante.
A gestão da lista de espera é feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que considera o tempo de espera e a gravidade do caso. A compatibilidade entre doador e receptor é crucial, especialmente para órgãos como coração e pulmão. Para se tornar um doador, é possível registrar a intenção na carteira de identidade ou através da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), embora a autorização da família seja sempre necessária.


