Na semana passada, Fiji declarou estado de emergência nacional devido ao crescimento alarmante dos casos de HIV no país. O arquipélago se tornou um dos principais focos da epidemia global, com cerca de um em cada 60 adultos vivendo com o vírus, uma taxa que subiu significativamente em relação a cinco anos atrás.
A prática conhecida como bluetoothing, que envolve o compartilhamento de sangue entre usuários de drogas, está contribuindo para a crise. Essa técnica permite que um usuário transfira sangue de alguém que acabou de consumir drogas para outro, na esperança de maximizar os efeitos da substância. Embora controversa, a prática já foi observada em diversas regiões, incluindo países africanos como Lesoto e Zimbábue.
Kalesi Volatabu, diretor executivo da ONG Drug Free Fiji, expressou preocupação com a situação, questionando quantas vidas precisam ser perdidas antes que a questão seja tratada com seriedade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que essa prática aumenta o risco de transmissão de infecções, como hepatite e outras doenças graves.
O Ministério da Saúde de Fiji reconheceu o bluetoothing como um dos fatores que agravam a epidemia de HIV e anunciou a implementação de um programa de distribuição de seringas e agulhas. Apesar de uma pesquisa indicar que o compartilhamento de sangue não é amplamente praticado, Volatabu defende que a realidade pode ser diferente, especialmente devido ao estigma associado ao uso de drogas.
Globalmente, o HIV continua a ser uma preocupação significativa, com cerca de 41 milhões de pessoas vivendo com o vírus. Embora os tratamentos tenham melhorado a expectativa de vida, novas infecções estão aumentando em várias regiões. A OMS e outras organizações estão alertando para a necessidade de atenção e ação imediata para conter a propagação do HIV e suas consequências devastadoras.


