O Ministério Público de São Paulo revelou que a empresa Estre Ambiental realizou pagamentos que totalizam quase R$ 4 milhões à Core, uma empresa associada a Renato Purini, ex-secretário de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim. Purini está detido sob suspeita de envolvimento em fraudes relacionadas à concessão de serviços de gestão de resíduos sólidos na cidade.
Os pagamentos, conforme os documentos do MP, foram feitos entre 8 de dezembro de 2025 e 27 de agosto de 2026, através de notas fiscais vinculadas a diversos contratos de consultoria. A investigação sugere que esses repasses foram parte de um fluxo financeiro contínuo, e não transações isoladas.
Um dos pagamentos destacados foi de R$ 750 mil, realizado em 8 de setembro, dia em que a Câmara Municipal votou um projeto de lei sobre a concessão de serviços de esgoto. Mensagens analisadas indicam que Purini estava ativamente articulando para garantir a aprovação do projeto nesse dia. A Core é suspeita de ter atuado como intermediária para que Purini recebesse vantagens indevidas.
Na terceira fase da Operação Cavalo de Troia, deflagrada em 23 de outubro, o diretor da Core, Jonathan Moga Pinto, foi preso. O Gaeco informou que esta fase visava desmantelar a estrutura financeira da suposta organização criminosa que estaria fraudando a licitação. A Justiça bloqueou R$ 20 milhões em bens e ativos dos investigados, incluindo Purini e outros envolvidos.
A investigação, que começou a partir de denúncias de ameaças a catadores de materiais recicláveis, se expandiu para apurar possíveis irregularidades na concessão de serviços de gestão de resíduos sólidos, estimada em mais de R$ 5,2 bilhões. O MP investiga se houve direcionamento da licitação, com a participação de agentes públicos e representantes de empresas privadas em um esquema organizado para favorecer a Estre Ambiental.
