Uma nova descoberta na biodiversidade do Brasil foi feita por estudantes de biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Durante uma aula de campo em Nova Friburgo, na região serrana do estado, eles localizaram o sapo-pulga (Brachycephalus clarissae), uma espécie rara que mede menos de 1,1 centímetro de comprimento.
O registro foi realizado na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Alto da Figueira, que está situada dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Macaé de Cima, sob a administração do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Essa é a segunda vez que a espécie é encontrada, ampliando sua área de ocorrência, que antes se limitava ao município de Cachoeiras de Macacu.
O sapo-pulga é notoriamente difícil de ser avistado devido ao seu tamanho reduzido e à camuflagem que utiliza na serapilheira das florestas. Segundo o herpetólogo Marcelo Stéfano Bellini Lucas, a espécie possui uma distribuição restrita, vivendo em altitudes entre 970 e 1200 metros, o que dificulta sua amostragem e identificação.
A coloração do sapo, que é predominantemente amarela com manchas avermelhadas, e sua habilidade de se camuflar tornam a busca ainda mais desafiadora. Os pesquisadores Izenita Brum e Miguel Relvas Ugalde estão investigando a biogeografia da espécie e os fatores que podem ajudar em sua preservação.
O desenvolvimento direto do sapo-pulga, que não passa pela fase de girino, é uma das suas características mais interessantes. Os filhotes nascem já com a aparência dos adultos, mas em tamanho reduzido. A conservação das áreas de proteção ambiental é crucial para a sobrevivência do sapo-pulga, que depende de condições específicas de habitat.


