Um estudo internacional identificou uma vasta área de aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros quadrados que interliga as populações de onças-pintadas em 11 países da América do Sul. Essa região, considerada uma “espinha dorsal” para a conservação do maior felino das Américas, foi detalhada na revista Global Change Biology.
Liderado pelo pesquisador brasileiro Guilherme Costa Alvarenga, do Instituto Mamirauá e da Universidade de Oxford, o estudo é a mais abrangente análise sobre a movimentação da espécie até o momento. A pesquisa utilizou dados de 86 fêmeas e 86 machos monitorados por colares de GPS, resultando em 231.017 registros de localização, abrangendo diversos ecossistemas e condições ambientais.
Os pesquisadores mapearam uma grande rede conectada que inclui Llanos, Amazônia, Gran Chaco, Pantanal, Cerrado, Caatinga e a Mata Atlântica, formando o que é chamado de Corredor Verde, localizado entre Argentina e Brasil. Essa rede é a mais significativa identificada, com 307 áreas núcleo somando cerca de 7,75 milhões de km², sendo que metade está em áreas protegidas e Terras Indígenas.
Entretanto, a conexão entre essas áreas não é contínua. Estradas, cidades e áreas agrícolas dificultam a passagem das onças, resultando em populações isoladas, especialmente no México e na América Central. O estudo destaca que o aumento populacional humano e a transformação dos ambientes naturais impactam negativamente o deslocamento dos felinos, reduzindo a troca genética e aumentando a vulnerabilidade da espécie.
Os mapas gerados pela pesquisa indicam áreas prioritárias para ações de conservação, como a restauração de habitats essenciais e a redução de conflitos entre humanos e onças. Além disso, o estudo sugere a translocação ou reintrodução de animais em casos específicos. Os pesquisadores também identificaram 507 corredores potenciais entre 905 áreas protegidas, destacando a necessidade de novas investigações para confirmar essas conexões.
