As internações por doenças inflamatórias intestinais na região de Campinas, São Paulo, aumentaram 66,2% entre 2016 e 2025, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. O total de internações saltou de 198 para 329, atingindo o maior nível desde o início da série histórica em 2016. Em 2025, 56 internações foram de pacientes com até 19 anos, enquanto a maior parte ocorreu entre pessoas de 20 a 59 anos, com 157 registros.
O crescimento na região superou o aumento observado em todo o estado, onde as internações passaram de 2.342 para 3.312, representando um aumento de 41,4%. As principais doenças inflamatórias intestinais incluem a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, que podem causar sintomas como dor abdominal e diarreia persistente.
O coloproctologista Hércio Cunha, da Clínica Vitali em Campinas, aponta que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e alterações na microbiota intestinal podem estar relacionados ao aumento das internações. Ele destaca a importância de uma alimentação saudável e o cuidado com a microbiota para prevenir essas condições.
Pacientes como Gabriela Musselli, diagnosticada com doença de Crohn aos 18 anos, relatam mudanças significativas na rotina e na alimentação após o diagnóstico. Gabriela precisou ajustar sua dieta para evitar alimentos que provocam desconforto e adotar uma alimentação mais calórica para manter a massa muscular.
Juan Kelvin, diagnosticado com retocolite ulcerativa em 2022, também enfrentou desafios relacionados à alimentação. Ele atualmente faz uso de medicamentos e controla sua dieta, evitando alimentos que possam causar mal-estar. O médico alerta para sintomas que exigem atenção, como diarreia persistente e dor abdominal, e recomenda a realização de exames como a colonoscopia para diagnóstico precoce.
