Médica, sim! Aprovada de primeira na Unicamp, jovem celebra apoio da mãe para vencer pressão religiosa

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Kelly Cristina Almeida Souza, de 18 anos, comemora sua aprovação em Medicina na Unicamp, conquistada logo após concluir o ensino médio. A estudante, que frequentou escola pública, dedicou um ano à preparação para o vestibular, utilizando videoaulas gratuitas e provas antigas, pois não dispunha de recursos para um curso preparatório pago.

A decisão de Kelly de seguir a carreira médica contrariou expectativas de parte de sua família, que é muito religiosa e esperava que ela se casasse em vez de priorizar os estudos. Sua mãe, no entanto, foi uma forte aliada, chegando a comunicar a Kelly sua decisão de deixar o emprego na padaria para se dedicar integralmente aos estudos para o vestibular.

Aos 16 anos, Kelly trabalhava como caixa em uma padaria para juntar dinheiro e adquirir um computador, essencial para seus estudos. Com o incentivo materno, deixou o emprego e passou a conciliar a intensa rotina de estudos com as tarefas domésticas e o cuidado com seus três irmãos mais novos.

Durante o terceiro ano do ensino médio, em 2020, Kelly elaborou um cronograma de estudos autônomo, dedicando cerca de oito horas diárias à preparação. Sua persistência resultou na aprovação em Medicina na Unicamp em 2021, logo na primeira chamada da universidade.

A ideia de cursar Medicina começou a se consolidar no segundo ano do ensino médio, após Kelly participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como um teste. Um excelente desempenho na redação, com 920 pontos, incentivado por uma professora de português, a fez considerar a carreira médica como uma possibilidade real, especialmente com o objetivo de melhorar a condição financeira de sua família, que vivia com um salário mínimo proveniente da aposentadoria da mãe, técnica de enfermagem.

Kelly cursou o ensino médio na rede pública estadual, na Etec de Botujuru. Sem condições de pagar cursinhos, desenvolveu seu próprio método de estudo, utilizando a internet para acessar videoaulas gratuitas e conteúdos disponibilizados por cursinhos durante a pandemia. Ela também pesquisava os temas mais recorrentes em vestibulares e utilizava provas anteriores para direcionar seu aprendizado, dedicando cerca de oito horas diárias de estudo de segunda a sexta-feira.

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