Flávio Bolsonaro defende pai, minimiza atos de 8 de janeiro e gera dúvidas em sabatina

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Em sabatina na TV Globo, Flávio Bolsonaro negou tentativa de golpe em 8 de janeiro, defendeu a condenação de seu pai como “farsa” e se mostrou flexível em pautas trabalhistas, gerando controvérsia e questionamentos sobre suas propostas.

Em sabatina realizada pela TV Globo na noite desta sexta-feira (16), o candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, abordou diversos temas polêmicos. Durante o debate, ele negou que os eventos de 8 de janeiro de 2023 tenham configurado uma tentativa de golpe de Estado e classificou o julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, como uma “farsa totalmente armada”.

O senador minimizou a invasão e depredação de prédios públicos na Esplanada dos Ministérios, ocorrida no dia 8 de janeiro. Ele descreveu a multidão que exigia a ascensão de seu pai ao poder como não sendo uma tentativa de golpe, exemplificando com a presença de uma “senhora com bíblia” no local. É importante ressaltar que, na ocasião, milhares de pessoas agrediram policiais e invadiram e vandalizaram as sedes do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal.

Questionado sobre a possibilidade de anistiar seu pai em eventual governo, Flávio Bolsonaro não confirmou se Jair Bolsonaro ocuparia um cargo no Executivo, embora tenha declarado em outras oportunidades que lhe daria indulto. Sobre seu irmão, Eduardo Bolsonaro, ele afirmou que não será ministro das Relações Exteriores, descrevendo-o como “perseguido político” e alguém que “se sacrificou para defender a democracia”. Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos e foi condenado no Brasil por coação no curso do processo.

A postura do candidato em relação à escala 6×1 de trabalho também gerou repercussão. Após meses criticando o fim da jornada, Flávio se mostrou favorável à medida, aprovada recentemente no Senado. Ele justificou seu voto pela necessidade de ouvir os trabalhadores e defendeu que eles tenham liberdade para escolher sua jornada, ao mesmo tempo em que prometeu manter todas as leis trabalhistas vigentes.

Flávio Bolsonaro reiterou a promessa de classificar facções criminosas como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas, mas não detalhou como essa medida alteraria o combate ao crime organizado. Defendeu ainda a flexibilização do acesso a armas de fogo, argumentando que o problema reside em quem as possui. Ele evitou, no entanto, discutir seu apoio a um projeto que retiraria a marcação de cápsulas de balas das forças de segurança, medida que dificultaria investigações e o combate a desvios.

O candidato também foi questionado sobre suas relações com políticos do Rio de Janeiro ligados a investigações de crime organizado, como Rodrigo Bacellar e Márcio Canella. Flávio Bolsonaro disse surpreso com as supostas ligações, mas afirmou que os acusados têm direito à ampla defesa e que a Justiça não deve poupar culpados. As relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de quem recebeu cerca de R$ 60 milhões, também foram tema da entrevista, com Bolsonaro mantendo sua versão sobre os fatos.

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