Café de Minas Gerais alcança valor recorde de mais de R$ 2.000 por quilo em leilão no Japão

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Grão especial da Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas, foi arrematado por US$ 26.456 a saca de 60 kg, superando recordes anteriores em leilão da Alliance for Coffee Excellence.

Um café especial produzido em Minas Gerais atingiu um valor histórico de mais de R$ 2.000 por quilo, durante um leilão realizado no Japão. A saca de 60 kg do grão mineiro foi vendida por US$ 26.456, o equivalente a aproximadamente R$ 134.581,67. O evento, organizado pela Associação de Cafés Especiais do Japão (SCAJ) em Tóquio, viu este café brasileiro bater o maior valor já registrado para um produto nacional em leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE).

A Fazenda Santuário Sul, localizada em Carmo de Minas, região da Serra da Mantiqueira, é conhecida por sua produção de cafés de alta qualidade e já acumula premiações em concursos internacionais, como o Cup of Excellence, considerado o “Oscar” do setor cafeeiro. A compra foi realizada pela empresa japonesa Snow Beans Coffee durante a World Specialty Coffee Conference and Exhibition, realizada na sexta-feira (16).

O produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho atribuiu o resultado expressivo a um trabalho meticuloso que envolve meses de dedicação. Ele destacou que a variedade cultivada, a geisha natural, possui grande potencial produtivo e confere à bebida um perfil sensorial único, com notas florais, que remetem a jasmim e mamão papaia, resultando em um sabor mais doce e delicado.

Pereira também ressaltou a importância da localização geográfica da propriedade, situada em uma região montanhosa com clima ameno, como fator contribuinte para a valorização do grão. O preço alcançado no leilão, que equivalia a US$ 200 por libra-peso, representou um aumento de 40% em relação ao recorde brasileiro anterior, estabelecido em 2018, quando o produto foi negociado a US$ 143 por libra-peso.

A família de Luiz Paulo Pereira tem tradição na cafeicultura, atuando no setor há quatro gerações, mas o foco em cafés especiais foi consolidado no início dos anos 2000. O produtor expressou o desejo de ver o café brasileiro cada vez mais valorizado no mercado internacional, destacando o reconhecimento do potencial do país na produção de grãos de excelência. Ele acredita que este resultado é uma vitória para o Brasil e uma demonstração de que o produto nacional pode competir e se destacar globalmente.

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