
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontou Renato Purini, ex-secretário municipal de Governo e marido da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), como a “figura política” de uma organização criminosa envolvida em fraudes na concessão do serviço de coleta de lixo. A prisão preventiva de Purini ocorreu na sexta-feira (16), em uma nova fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
As investigações indicam que Purini teria recebido pagamentos da empresa Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar a votação do projeto de concessão na Câmara Municipal. Segundo o MP-SP, os valores eram repassados através de um intermediário, o advogado Marcos Libanore Caldeira, para ocultar a origem do dinheiro. A Estre Ambiental emitia notas fiscais por serviços jurídicos ao escritório do advogado, que posteriormente repassava as quantias a Purini.
Interceptações telefônicas revelaram que, em 2015, Purini encaminhou o contato do advogado à então secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, cobrando que o defensor fosse procurado. Em resposta, Cilene contatou o CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, que marcou um encontro com o advogado após se identificar como amigo de Purini.
Evidências sugerem que a empresa chegou a emitir uma nota fiscal de R$ 750 mil para o escritório de advocacia. O Gaeco considera que há indícios de que este não foi um pagamento isolado, mas parte de uma remuneração contínua destinada a Purini. Em outra comunicação, o ex-secretário teria cobrado um valor adicional de R$ 90 mil, utilizando termos como “honorários advocatícios” para disfarçar a natureza dos repasses.
Cilene Chabuh Bordezan, em conversas com executivos da Estre Ambiental, indicava que os valores eram direcionados a Purini. Ela também mencionou que “a chefa”, referindo-se à prefeita Suéllen Rosim, cobrava atualizações sobre o andamento do processo de concessão.
Em dezembro de 2015, durante a votação do projeto de concessão do lixo, Purini e Cilene discutiram estratégias para agilizar a aprovação na Câmara. Mensagens indicam que Purini acompanhava de perto a atuação dos vereadores e relatou ter se reunido com nove parlamentares na véspera da votação, além de ter retido dois vereadores no estacionamento da Câmara para pressionar pela aprovação.
