
A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado Federal dividiu opiniões na região de Campinas. Trabalhadores celebram a perspectiva de duas folgas semanais remuneradas e a diminuição gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, enquanto representantes do comércio e do setor de bares e restaurantes expressam preocupação com possíveis aumentos de custos e dificuldades logísticas na reorganização das equipes.
A medida, que segue para promulgação, prevê um período de transição de 14 meses. Nos primeiros 60 dias, a jornada será reduzida para 42 horas semanais, com duas folgas que não precisam ser consecutivas. Nos 12 meses seguintes, a jornada cairá para 40 horas, sem redução salarial. A presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB Campinas, Franciele Aparecida Gurgel, destacou que as novas regras podem melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos profissionais, ressaltando que setores como saúde e serviços essenciais podem ter regras específicas.
Trabalhadores como a trancista Yasmin Eloi e a cozinheira Norberta Aparecida veem a mudança como uma oportunidade de ter mais tempo para a família e para o autocuidado. “Isso vai ajudar bastante, tanto os comerciários, funcionários, a poder ter uma folga a mais com a família, poder ter um momento mais de descanso”, afirmou Yasmin. Norberta complementou que haverá mais tempo “para o lazer, para a família, para cuidar da pessoa em si”.
Por outro lado, o técnico de manutenção Vinícius Gama manifestou receio de que a nova jornada aumente a pressão sobre os funcionários. “Se mexe no bolso do empresário, então vai mexer no bolso do trabalhador. Vai vir uma cobrança maior para o trabalhador”, ponderou Vinícius.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) manifestou contrariedade à proposta. O presidente da entidade na Região Metropolitana de Campinas, André Mandetta, alertou que os estabelecimentos tentarão reorganizar as equipes internamente antes de contratar novos funcionários, o que pode prejudicar o atendimento. Ele também previu um aumento de custos e a possibilidade de alguns restaurantes optarem por fechar um dia a mais na semana.
O SindiVarejista Campinas também considera o prazo de adaptação curto, especialmente devido à proximidade do Natal, período de maior movimento para o comércio. O economista da entidade, Jaime Vasconcelos, apontou a necessidade de as empresas reverem escalas e calcularem novos custos. Ele sugeriu que a redução da jornada seja implementada gradualmente, respeitando as necessidades de adequação dos empregadores.
