
Grãos de café tipo arábica têm participação reduzida em blends tradicionais e extrafortes, dando lugar ao conilon, mais resistente e acessível. Mudança impacta a indústria e, sutilmente, o consumidor.
A composição dos cafés classificados como ‘tradicional’ e ‘extraforte’ vendidos no Brasil passou por alterações recentes, embora a alteração no sabor possa não ser imediatamente perceptível para o consumidor. Essas mudanças afetam a mistura de grãos, conhecida como ‘blend’, que forma a base da bebida consumida diariamente em milhões de residências brasileiras.
Historicamente, os cafés brasileiros utilizam uma combinação de grãos arábica e conilon (também chamado de robusta). O grão arábica, amplamente preferido no país por seu aroma e sabor mais delicados, costumava predominar nas formulações. Já o conilon, conhecido por sua maior robustez, corpo acentuado e teor de cafeína elevado, tem ganhado espaço gradativamente.
O aumento da participação do conilon nas misturas de café é uma resposta direta a fatores econômicos e climáticos que afetam a produção do arábica. Segundo especialistas do setor, o custo do grão arábica tem se elevado para as indústrias, tornando sua utilização em larga escala menos vantajosa financeiramente.
Além disso, o arábica é particularmente suscetível a variações climáticas. Condições como o aumento das temperaturas médias, geadas inesperadas e regimes de chuva irregulares têm impactado negativamente a safra. Em contrapartida, o conilon demonstra maior resiliência a essas adversidades ambientais, o que o torna uma opção mais segura e atraente para os produtores rurais.
Essa adaptação na composição dos cafés busca manter a oferta e a acessibilidade da bebida para o consumidor, mesmo diante dos desafios na cadeia produtiva. A indústria de café segue monitorando as condições de cultivo e os custos para equilibrar a qualidade e a disponibilidade dos produtos no mercado nacional.
