
A missão de assegurar o direito à educação para crianças e adolescentes em tratamento de saúde complexo é realizada pela professora Giselda Santiago Dias da Silva no Hospital Estadual de Bauru (SP). Há sete anos, ela atua na Classe Hospitalar do HEB, dedicada a pacientes de 2 a 17 anos que passam por hemodiálise ou quimioterapia. O trabalho visa garantir que o processo de aprendizado não seja interrompido, mesmo em meio a internações e terapias.
As atividades pedagógicas são cuidadosamente planejadas e adaptadas às condições de saúde e às possibilidades de participação de cada estudante. Os atendimentos ocorrem tanto individualmente quanto em grupo, em diferentes espaços do hospital, incluindo a sala da Classe Hospitalar, a brinquedoteca da Pediatria e os setores de Quimioterapia e Hemodiálise. Em casos de maior fragilidade, as aulas chegam até o leito do paciente.
“Tudo é organizado de acordo com as condições clínicas do estudante, as orientações da equipe hospitalar e as possibilidades de realização das atividades naquele momento”, explica Giselda. A didática se diferencia de um ambiente escolar tradicional pela flexibilidade, sendo específica para cada caso e considerando os aspectos físicos e emocionais da criança.
Materiais como livros, jogos educativos, contação de histórias e atividades lúdicas são utilizados para envolver os alunos. Esses recursos são fornecidos pela unidade escolar à qual a professora pertence, garantindo a alinhamento com o currículo escolar e as diretrizes da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc).
A principal diferença entre ensinar em um hospital e em uma escola reside na adaptação à rotina médica. Enquanto em escolas há horários e turmas definidas, no ambiente hospitalar é preciso conciliar o aprendizado com procedimentos, consultas e o estado de saúde dos pacientes, que pode mudar repentinamente. Prazos mais flexíveis são necessários devido a essa dinâmica.
Giselda Santiago Dias da Silva é a única docente responsável pela Classe Hospitalar no Hospital Estadual de Bauru e ministra aulas às quartas e sextas-feiras. Para ela, a experiência tem sido transformadora, indo muito além do ensino formal e impactando sua visão profissional e pessoal.
