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Pesquisa da CNI revela que taxas de juros elevadas são o maior obstáculo para empresas industriais obterem financiamento. Exigências de garantias e burocracia também dificultam o acesso ao crédito, afetando especialmente pequenas e médias.
As elevadas taxas de juros continuam sendo o principal impedimento para que a indústria brasileira consiga acesso a linhas de crédito, conforme apontado por uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre as empresas que enfrentaram dificuldades para obter financiamento de curto e médio prazo, uma expressiva maioria de 76% indicou os juros altos como o maior entrave. Para operações de longo prazo, com prazos de pagamento superiores a cinco anos, essa preocupação foi compartilhada por 69% dos empresários entrevistados.
A pesquisa, intitulada Sondagem Especial 107 – Condições de Acesso ao Crédito, ouviu 1.701 indústrias de diferentes portes em todo o país entre os dias 3 e 12 de agosto, analisando as condições enfrentadas de fevereiro a julho. Embora os juros persistam como o principal obstáculo, sua relevância diminuiu em comparação com o levantamento anterior, indicando uma leve melhora na percepção, mesmo que o custo do crédito ainda permaneça alto para as companhias.
Além dos juros, outras dificuldades relevantes foram identificadas. No crédito de curto e médio prazo, as exigências de garantias reais surgem como o segundo maior problema, mencionadas por 33,4% das empresas. A burocracia também se configura como um desafio, citada por 13,6% dos empresários. Já nas operações de longo prazo, a segunda barreira mais frequente foi o prazo de carência considerado insuficiente por 18,9% dos entrevistados, seguido pelas exigências de garantias reais (31,5%).
O levantamento também mostrou que quase metade das empresas industriais (49,9%) não buscou ou não conseguiu renovar crédito de curto ou médio prazo no período analisado. Um percentual de 22,9% obteve sucesso na contratação ou renovação, enquanto 7,5% tentaram, mas não obtiveram os recursos. No crédito de longo prazo, 54% das empresas não procuraram financiamento, com 15,5% obtendo êxito e 9,2% enfrentando recusa.
A taxa de insucesso na obtenção de crédito aumentou em relação ao ano anterior. Para operações de curto e médio prazo, 24,7% das empresas que buscaram financiamento não o conseguiram, ante 20% em 2025. No longo prazo, o índice de frustração subiu para 37,2%, comparado a 33% no ano anterior. As pequenas e médias empresas foram as mais afetadas, apresentando os maiores índices de insucesso, especialmente nas operações de longo prazo.
A pesquisa revelou ainda que empresas industriais continuam utilizando linhas de longo prazo para cobrir despesas do cotidiano, como capital de giro, que foi a principal finalidade para 28,7% das que buscaram esse tipo de crédito. Esse uso para despesas operacionais, em vez de investimentos em expansão ou equipamentos, diverge da destinação usual dessas linhas de financiamento.
Em relação às medidas mais eficazes para facilitar o acesso ao crédito, as empresas apontaram a redução dos custos tributários e administrativos como a principal solução. Essa sugestão foi escolhida por 38,4% dos entrevistados para crédito de curto e médio prazo e por 31,2% para operações de longo prazo, evidenciando a busca por um ambiente de negócios mais favorável.
